Jovens participam de batismo de capoeira
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segunda-feira, 01 de dezembro de 2008
Adriana Ito<br>Reportagem Local 
Centenas de estudantes participaram de uma cerimônia de batismo e mudança de cordão de capoeira ontem de manhã no gramado do Zerão, Área Central de Londrina. Com idades entre 7 e 17 anos, eles são integrantes dos projetos Viva Vida, que trabalha com crianças no contraturno escolar, e Gingando em Londrina, que ministra oficinas de capoeira em pontos estratégicos da cidade. Os instrutores são de mais de 15 grupos de capoeira de Londrina e região.
Os estudantes passaram por um aquecimento e depois, ao som do berimbau, ''jogaram'' com instrutores e colegas para obter o cordão novo. ''Nosso objetivo é proporcionar o acesso à capoeira a quem não tem condições e utilizar essa arte como um instrumento de transformação social e cultural'', explicou Robson Arantes, coordenador pedagógico do Viva Vida e um dos organizadores da cerimônia.
Arantes ressaltou que, através da capoeira, o jovem tem um aprendizado que pode levar para a sua própria vida. ''Na capoeira, o oponente não é adversário, mas sim um companheiro. Isso ensina a ver o outro como um parceiro, a trabalhar em grupo, a ter companheirismo e solidariedade. Além disso, quando recebe um golpe, ele aprende a parar e analisar primeiro para então decidir o que fazer'', enumerou.
Arlete Lemos, coordenadora do Viva Vida Interlagos (Zona Leste), observou que a mudança no comportamento dos estudantes que começam a praticar a arte é evidente. ''A capoeira trabalha a cooperação, a socialização, a disciplina. Com as aulas, a agressividade dos alunos diminui. E eles aprendem que não podem usar a arte para brigar'', analisou.
Com a câmera fotográfica na mão, a dona-de-casa Maria Aparecida Marcelino observava atentamente os movimentos de seus três filhos, Ronaide, Sérgio e Pâmela. ''Além de ser uma atividade física, eles gostam muito'', comentou, admitindo que, após as aulas, seus filhos aprenderam a ser mais disciplinados em relação aos horários.
Kelly Alves Brito, 17 anos, veio do Distrito de Lerrovile (Zona Sul) para seu batismo, após um ano de treinamento. ''Gosto muito dos saltos, dos movimentos que a gente faz. Assim, você não fica travado, e não sente dor quando faz exercícios'', afirmou, acrescentando que, como os movimentos não são fáceis, é preciso persistir. ''Você tem que pensar e se esforçar para conseguir aquilo que quer. Eu quero ir até o fim'', afirmou, mostrando como a capoeira realmente ensina lições para a vida.


