No lugar da solidão, o sorriso. Moradores do asilo São Vicente de Paulo, localizado na avenida Madre Leônia Milito, região sul de Londrina, passaram o sábado descontraídos com a companhia de alunos do segundo ano do curso de Relações Públicas da Universidade Estadual de Londrina (UEL). O evento ''Vovô Bailar'' faz parte da disciplina de planejamento de eventos do curso, e a idéia de promover uma ação social partiu dos próprios alunos.
''Eles organizaram todo o evento, foram atrás de empresas para conseguir doações e oferecer o almoço. É uma ação muito positiva, porque desperta a consciência de exercer uma função social nesses jovens que estão se preparando para o mercado de trabalho'', avalia a professora Mariângela Benine Ramos Silva, coordenadora do evento.
Orlando Herreria era um dos mais animados para o baile. Aos 67 anos, ele comandou a sanfona e deixou a dança de lado, apesar das boas lembranças. ''Gosto muito de bailes. Participava desde os 15 anos, tocando e também dançando. Hoje fico só na gaita, mas é bom porque a gente consegue se distrair tocando no meio do povo'', conta o sanfoneiro.
Os problemas no coração não permitem que Quirino Bernardino, 66 anos, caia na dança. Isso não impede, no entanto, que ele faça companhia a Orlando tocando violão, instrumento que o acompanha há 40 anos. ''Aprendi a tocar sozinho'', orgulha-se.
Quem apenas observa os passos dos colegas é Amélia Marchiori, de 87 anos, justificando que a religião a impede de dançar. Na juventude, a barreira entre a cadeira e a pista de dança era o marido. ''Nunca fui muito de ir em bailes, porque meu marido não gostava de dançar. Mas só de ver os outros dançando a gente se diverte''.
O dia festivo no asilo São Vicente de Paulo não foi de alegria apenas para os cerca de 70 idosos que participaram do almoço dançante. Os estudantes de Relações Públicas que organizaram o evento também ficaram satisfeitos com a atitude positiva. ''Eles estão gostando muito, porque sentem falta de carinho, e a gente se sente bem em poder ajudar. As pessoas têm de ser solidárias, porque um dia pode ser um parente seu que esteja nesta situação. Passar meia hora dando atenção já é suficiente, e faz uma diferença enorme para eles'', garante a estudante Isabela Ricci.


Serviço:

- Quem quiser ajudar os moradores do asilo São Vicente de Paulo ou agendar uma visita, o telefone de contato é (43) 3339.0030.

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