Jovens nikkeis discutem a
preservação da identidade
Érika Pelegrino
O conflito de valores entre ocidentais e orientais é inevitável. Mas quando os povos se misturam é necessário um processo de aprendizagem para que imigrantes assimilem os valores da sociedade a que passam a pertencer e se desenvolvam em busca de realização, sem deixar perder-se a sua tradição, os valores de suas origens. O Simpósio de Jovens Nikkeys do Paraná, realizado durante a Imin 90 na Sociedade Rural do Paraná, em Londrina, ontem, teve como objetivo principal o desenvolvimento e a preservação da identidade.
O Coordenador da Comissão do Simpósio, George Hiraiwa, afirma que o evento buscou ‘‘ampliar a integração entre as gerações, alertando os atuais líderes sobre a necessidade permanente de atualização para preparar uma geração futura atuante e comprometida com o crescimento da sociedade brasileira sem perder a valiosa identidade nikkey’’. Hiraiwa destaca que os imigrantes japoneses construíram, com muito trabalho um grande patrimônio de valores culturais e morais, que contribuem para o desenvolvimento do nosso país.
Para mostrar aos jovens nikkeys a necessidade de buscarem seu lugar ao sol, o evento trouxe nikkeys como o prefeito de Curitiba, Cássio Taniguchi, a presidente da rede de hotéis Ceasar Towers, Chieko Aoki e o psicoterapeuta e psiquiatra de adolescentes, Icami Tiba, de São Paulo.
Com muito humor o psiquiatra conseguiu atrair a atenção de cerca de 1.300 ouvintes, entre jovens nikkeys e brasileiros. Icami Tiba falou dos problemas gerais que envolvem o jovem hoje, dando ênfase para as questões do jovem nikkey.
Segundo o psiquiatra, o jovem nikkey vive um conflito de valores. ‘‘Para os japoneses a tradição vem acima da família e do indivíduo, enquanto para o brasileiro, o indivíduo está acima da família e da tradição’’, afirma. Com a experiência de quem trabalha há 30 anos com adolescentes, já fez 65 mil atendimentos, mais de duas mil palestras e tem nove livros publicados, Icami Tiba, alerta os jovens nikkeys que eles precisam passar por uma aculturação, para que possam se desenvolver na sociedade brasileira.
‘‘Para os japoneses, fazer bem feito já é o suficiente mas não é bem assim. Eles precisam divulgar o trabalho deles’’, alerta o psiquiatra. O evento foi encerrado com um show do grupo Sansey de Londrina.

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