Alex (nome fictício) tem apenas 17 anos mas uma experiência de vida um tanto quanto assustadora. Morador de um dos bairros mais violentos da Zona Oeste de Londrina, o garoto já registrou diversas passagens pela polícia e há pouco mais de um ano cumpre pena no Centro de Sócio-Educação, o Educandário, na Zona Sul da cidade.
A um mês de deixar a detenção, Alex viu num curso de jardinagem a possibilidade de mudar de vida ao voltar para casa. ''Já trabalhei com capina com meu pai e meus tios quando estava na rua e acho este curso muito bom, me incentivou a sair daqui e não voltar'', declarou o adolescente, que cultiva o sonho de dar aulas para crianças.
''Quero desenvolver um trabalho com as crianças nos centros comunitários, ensinar que o crime não compensa'', disse Alex, que hoje cursa o primeiro ano do ensino médio e pretende continuar na escola quando deixar a prisão. ''Com a capacitação posso voltar para o mercado de trabalho assim que sair.''
Como Alex, outros nove adolescentes internados no Educandário participaram do curso de jardinagem oferecido pela Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU) em parceria com a Visatec, empresa que presta serviço de capina e roçagem à Prefeitura.
O curso teve duração de sete horas e dez jovens entre 16 e 18 anos receberam orientações teóricas e práticas sobre plantio e poda de grama, manutenção e regulagem de equipamentos. Conforme Jorge Igarashi, diretor do Educandário, foram escolhidos para participar do curso os adolescentes com perfil mais adaptado para trabalhar na atividade.
''É uma forma mais rápida do menino voltar para a sociedade, um modo mais fácil dele ser inserido no mercado de trabalho'', avaliou Igarashi, informando que um adolescente está cursando um treinamento em mecânica no autódromo e outros dois estão recebendo aulas teóricas para trabalhar na Copel, por meio do Programa Jovem Aprendiz.
''Aqui dentro eles têm aulas de culinária e estufa e estes meninos que fizeram o curso de jardinagem irão auxiliar na manutenção do jardim da unidade, como parte da terapia ocupacional'', informou o diretor, assinalando que o Educandário tem capacidade para abrigar 55 jovens e hoje atende 54.
Para Fábio Reali, diretor de Operações da CMTU, a profissionalização é uma oportunidade para os jovens conseguirem um emprego ao saírem da instituição. ''A ressocialização só acontece através da educação e do trabalho. Se esse jovens não tiverem uma profissão, vão cair no mundo do crime novamente. É importante dar essa oportunidade a eles'', analisou.
De acordo com uma das coordenadoras do projeto, Karina Jenani Alves, da Visatec, antes do curso, os jovens já faziam esse tipo de serviço, porém sem técnicas ou preparo. ''De todos que estão fazendo o curso, se um conseguir um emprego, já é uma grande conquista'', ressaltou Karina.
''O próprio dono da Visatec avisou que ao abrir uma vaga na empresa, ele contrata o adolescente que fez o curso'', completou Fábio Reali.

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