Centenas de alunos de Ensino Médio do Colégio Estadual Marcelino Champagnat (Área Central de Londrina) compareceram às aulas vestidos de preto, ontem, num ''protesto silencioso'' contra a corrupção no Brasil. Mais do que sinalizar a indignação com os escândalos que novamente tomaram conta dos noticiários, os manifestantes quiseram transmitir com esse gesto um recado para a socidade: os jovens não estão tão alheios à política como se supõe.
''Estamos de luto pela morte da dignidade dos políticos, que aliás aconteceu há muito tempo - foram só os fatos que explodiram agora. Queremos mostrar que nós adolescentes estamos pensando em política, acompanhando esse momento pelo qual o País está passando e buscando mudanças'', atestou Etienne Duim, 17 anos, aluna do 3º ano e articuladora do protesto.
Durante os últimos dias, Etienne gastou parte das horas de aula arregimentando colegas de sala em sala para participar do luto. A ação teve respaldo da diretoria e do corpo docente, que também usaram roupas pretas ontem. A professora de Geografia Maria Fumi Uratami era uma das maiores entusiastas: partiu dela a sugestão do protesto, depois de receber um e-mail de São Paulo que circulou por todo o País conclamando os internautas para uma mobilização. ''Li o e-mail para os alunos durante a aula e eles aceitaram a proposta. Temos que mostrar a realidade aos alunos porque eles são os dirigentes de amanhã, e não podem ter como exemplo essa farra no Congresso'', considerou.
O luto ganhou adesão da grande maioria dos alunos. Conversando com alguns alunos, era possível constatar que por trás da superficialidade da roupa preta havia informação e opiniões firmes.''Eu acompanho os noticiários de TV. Não compreendo tudo que está acontecendo - numa hora falam uma coisa, depois falam outra - mas dá pra entender que eles estão roubando e que isso é dá uma aparência ruim para o Brasil diante dos investidores'', observou o aluno de 1º ano Valter Cids, 14 anos.
Marlon Peterson Santos, 16 anos, do 2º ano, usou um exemplo próximo de sua realidade para definir como alguém pode se corromper - mesmo sem ser um político. ''Você não precisa beber numa festa só porque todo mundo está bebendo, é uma questão de caráter. Você tem que fazer o que acha certo'', concluiu.
E pode uma manifestação modesta surtir algum efeito além dos muros do colégio? ''Acho que a gente pode sim, a partir de Londrina, fazer com que os políticos criem um pouco de vergonha. A corrupção nunca vai acabar, mas pode diminuir'', atestou Thiago Oliveira, 17 anos. ''A gente não precisa sair às ruas e quebrar ônibus para protestar, ou estaríamos fazendo o mesmo que os corruptos: prejudicando os bens públicos. Se Gandhi libertou o povo indiano dos ingleses com um movimento pacífico, por que não nós?'', desafiou Etienne, que vai prestar vestibular para Direito e não descarta a possibilidade de entrar para a política um dia.

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