Jovens fazem caminhada pela fé
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quinta-feira, 09 de abril de 2009
Fernando Rocha Faro<br> Reportagem Local 
O que faz 150 jovens entre 14 e 25 anos renunciarem ao feriado para participar de uma caminhada de 72 quilômetros em três dias? As explicações mais comentadas entre os integrantes da Juventude Masculina de Schoenstatt (Jumas) são a convivência entre amigos e a espiritualidade. Estes são os atrativos da 11 Cruzada do Homem Novo, que consiste em vencer o trajeto entre os santuários de Schoenstatt de Londrina e Cornélio Procópio.
''É uma forma de vivenciar a Semana Santa de uma maneira adaptada aos jovens. Este é o momento central da vida do cristão. E a peregrinação tem um sentido espiritual importante'', ressalta o padre Alexandre Awi, do santuário londrinense. O desafio físico e esportivo de vencer tantos quilômetros a pé, acrescenta, é mais um atrativo para os jovens.
A programação prevê caminhada por estradas de terra, como a dos Pioneiros, e paradas em Jataizinho e Uraí, antes da chegada a Cornélio Procópio no domingo. Os participantes podem conversar durante o percurso. Este é, afinal, um dos objetivos: promover a integração entre os jovens de diferentes cidades. No entanto, há momentos de oração em que todos permanecem em silêncio.
Na noite de ontem, os jovens participariam de mais orações e da Cerimônia de Lava Pés em Jataizinho. Hoje, em Uraí, é a vez da Adoração da Cruz e da Via Sacra. No Domingo de Páscoa, já no destino final, será realizada a Celebração do Fogo e a Vigília Pascal. Atividades que, de acordo com os integrantes do Jumas, têm o poder de unir oração e amizade, bases do movimento da Igreja Católica.
E é a força da amizade que proporciona o crescimento do grupo. O convite de um amigo que já participa é a principal motivação para a maioria dos jovens passar a integrar o Jumas. Foi assim que o estudante Luiz Augusto Ferreira, 15 anos, decidiu aderir. A caminhada é a primeira atividade que ele participa. ''É uma ação importante pelo sacrifício que a Semana Santa representa'', opina. Outro traço em comum entre os integrantes, apontado por Ferreira, é a forte influência religiosa dos pais.
Escolher passar o feriado longe da família e vencendo dezenas de quilômetros de estrada de terra exige renúncia por parte dos jovens. A participação na cruzada, pórem, não é um impeditivo para a vida social. Os membros do Jumas garantem que não deixam de namorar ou ir a festas, desde que as datas não coincidam com os eventos religiosos.
''Dá para conciliar, mas a prioridade sempre são os encontros. Os eventos têm toda uma parte de espiritualidade, só que não deixam de ser uma diversão'', argumenta o estudante Fernando Monfernatti, 17, também de Cornélio Procópio. O divertimento, neste feriado, vem do espírito de aventura envolvido na cruzada. O simbolismo da ação, no entanto, vai muito além. De acordo com o estudante de Relações Públicas Otávio Cezarini, 20, os momentos de reflexão durante a caminhada representam um resgate de valores. ''É como um retiro espiritual, só que lembrando toda a dor e sofrimento de Jesus Cristo enquanto Ele caminhava'', ressalta.


