Jovens especiais fazem arte excepcional
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domingo, 12 de agosto de 2007
Mariana Guerin<br>Reportagem Local 
Ana Paula Tarozo, 25 anos, adora pintar e usa a imaginação para desenhar, como Rodolfo Montanini, 20, que coloca corações em tudo o que vê pela frente. José Siu Bernardo Takeda, 22, leva muito a sério as tarefas da escola, por isso se empenha bastante nas aulas de pintura. Já Samuel Chaves Santos Júnior, 19, desenha sempre o que mais gosta: futebol.
Alunos da Associação de Pais e Amigos de Portadores de Síndrome de Down (APS Down), de Londrina, estão trabalhando juntos num projeto diferenciado. Convidados pela construtora Plaenge a produzir quatro painéis artísticos para ilustrar uma das obras da empresa, os adolescentes estão eufóricos.
''É gostoso'', definiu Rodolfo, que desenhou um prédio, com um coração no topo, além de nuvens e estrelas. ''É um coração cheio de amor porque temos que viver com muito carinho'', declarou. Já Ana Paula preferiu pintar ''dois prédios, uma rua e várias plantas, como a professora pediu'', disse. O campo de futebol ilustrado por Samuel dá um toque todo especial ao painel, que também tem prédios desenhados milimetricamente por Takeda.
Gregório José Castro Vicentini, 24, é um dos alunos mais antigos da APS Down e fez questão de explicar como funciona o projeto. ''A Plaenge pediu para a gente desenhar prédios, apartamentos e nós vamos prestigiar a empresa com um presente para eles.''
Conforme a professora Marcia Nunes Carneiro, que trabalha com a turma na APS Down há dois anos, a oportunidade de expor os trabalho feitos na escola veio em bom momento, já que os alunos estão, provisoriamente, sem aulas de educação artística.
''A única escola que eles frequentam é aqui, por isso trabalho o currículo escolar básico e eles também têm aulas de educação física, que é o karatê, e terapia ocupacional, quando fazem artesanato'', explicou Marcia, ressaltando que da sala de 12 alunos, três são alfabetizados.
Além dos alunos da APS Down, o projeto da Plaenge engloba adolescentes especiais da Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae), do Instituto Comunicar e Crescer, que funciona em conjunto com a Escola Vagalume, e do Instituto Londrinense de Educação para Crianças Excepcionais (Ilece), que, inclusive, já terminaram de confeccionar as peças.
Ao todo 22 peças serão expostas na obra do edifício L'Essence, entre as ruas Caracas e Antonio Pisicchio, na Gleba Palhano (Zona Sul), em comemoração à Semana da Criança Especial, que acontece de 20 a 29 de agosto. Os adolescentes também poderão conferir seus próprios trabalhos em visitações à obra nos dias 23 e 28 de agosto.
O único painel produzido pelos alunos do Ilece já foi entregue para a construtora. Segundo a coordenadora pedagógica do instituto, Vera Lúcia de Mello, o aluno Gilmar Ferreira da Silva Alves, 25 anos, desenhou o tema inspirado na natureza e outros cinco alunos o ajudaram a pintar.
''Nós aproveitamos o talento dele e também as aulas de educação artística para pintar o painel'', afirmou Vera, contando que os alunos do Ilece sempre participam de festivais de arte. ''Além de despertar a criatividade e a atenção do adolescente, a exposição desperta ainda o gosto pela arte. O Gustavo está bem felizes de ver o nome dele exposto na obra.''


