Crianças e adolescentes atendidos pelo Centro de Atendimento Psicossocial Infantil (Capsi) de Londrina estão participando, desde o início da semana, de um curso de tecelagem no Centro de Oficinas da Mulher, localizado no Jardim do Leste (Zona Leste). A oficina é parte do trabalho que o Capsi desenvolve junto aos jovens. De acordo com a terapeuta ocupacional do centro, Renata Maria Palu Alcântara, oito adolescentes foram selecionados para o curso, que tem o objetivo de proporcionar a reinserção social dos participantes.
''A meta é recuperar a cidadania dos jovens e alimentar sua auto-estima, na medida em que eles se vêem capazes de começar e terminar um trabalho'', considera a terapeuta. ''Só o fato deles saírem do Capsi e de casa e de estarem em outro espaço, num ambiente de socialização, já ajuda muito'', complementa a gerente do Centro de Oficinas da Mulher, Sônia Maria Ulian. Os alunos realizarão ao todo 14 aulas, de três horas cada, sempre de segunda a sexta-feira.
Ao todo, o Capsi, que é vinculado à Secretaria Municipal de Saúde, atende atualmente 205 crianças ou adolescentes com idades entre dois e 18 anos que passaram ou passam por situações de sofrimento intenso: jovens que foram vitimados por algum forte trauma psicológico, ou que apresentam distúrbios de conduta ou de personalidade, quadros de depressão ou psicose, ou que já tenham tentado suicídio.
No Capsi, eles passam por oficinas terapêuticas, atendimento psicológico, psiquiátrico e familiar e, em casos especiais, profissionais do centro fazem acompanhamento nas escolas. O encaminhamento das crianças e dos adolescentes é feito pelas administrações de postos de saúde, das escolas ou pelas famílias. Segundo Sônia, a parceria com o Capsi está sendo realizada pela primeira vez (o Centro de Oficinas tem como foco o estímulo à geração de renda para senhoras) e a experiência apontará se deve ser repetida. Se depender dos alunos, mais cursos de tecelagem serão oferecidos.
Marlon (nome fictício), de 12 anos, demonstra entusiasmo com os primeiros dias de aula. ''É uma coisa bem diferente, nunca tinha feito. Vou guardar esse conhecimento para o resto da vida'', comemora ele. Jefferson (também nome fictício), 17 anos, sente o mesmo. ''É bom para eu aproveitar mais o meu tempo, que é precioso. Gosto desse clima de convívio, é como uma família. Todo mundo se ajuda, ninguém pensa em fazer apenas para si''.

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