Jovens disputam torneio de golfe
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quinta-feira, 16 de abril de 2009
Fernando Rocha Faro<br> Reportagem Local 
O golfista Tiger Woods é hoje o atleta mais bem pago do mundo. De acordo com a revista Forbes, o norte-americano faturou mais de US$ 100 milhões na temporada de 2007, com premiações e marketing. Uma realidade diametralmente oposta à dos adolescentes que moram em bairros de periferia em grandes e médias cidades do Brasil. Estudantes de escolas públicas de Cambé (Norte), no entanto, têm alguma coisa em comum com o esportista multimilionário: a prática do golfe.
Considerado esporte de elite pelo custo do material, como tacos e bolinhas, o golfe atualmente faz parte da rotina de mais de 40 estudantes ligados a projetos sociais mantidos pela prefeitura de Cambé em parceria com o Londrina Golf Club. E os participantes estão ansiosos. Amanhã eles participam pela primeira vez de um torneio, com direito a premiação e jantar de confraternização.
O evento será paralelo à competição disputada pelos sócios do clube. Será também a chance para que os jovens possam colocar em prática as técnicas ensinadas pela professora Josiane Cristina Botti, coordenadora do projeto. E quem pensa que o jogo consiste apenas em dar tacadas está enganado. A prática exige técnica, da forma correta de segurar o taco ao ''suingue'' na hora de bater na bola.
''Nunca tinha visto um jogo nem um campo de golfe. Estou gostando. E é bom para aprender outro esporte e não ficar na rua sem fazer nada'', comentou Marcelo Oliveira, 14 anos, morador do Jardim Novo Bandeirantes, em Cambé. O jovem se diz otimista para a disputa do torneio e empolga-se ao revelar que pretende até tentar ser jogador profissional.
Antes de viver do golfe, no entanto, o praticante precisa suar muito. Os participantes do projeto treinam uma vez por semana, no Londrina Golf Club e num campo de futebol no Centro Esportivo Castelo Branco, localizado na periferia de Cambé. E um jogo completo, em que é necessário vencer 18 buracos, o golfista caminha, de acordo com Josiane, perto de 18 quilômetros.
O preparo físico, no entanto, não é o único pré-requisito para os golfistas. O esporte exige, como ensina a coordenadora, concentração e coordenação motora. ''A tacada é um momento de introspecção e esse controle pode ser transferido para a sala de aula, fazendo com que o desempenho do aluno melhore'', alertou.
O treino de ontem foi o primeiro de Leonardo da Silva, 14, que vive no Jardim Silvino. Mesmo assim, o jovem mostrou desenvoltura nas primeiras tacadas, a ponto de arrancar elogios da professora Josiane. A explicação: o estudante trabalha como ''caddie'' há um mês no próprio Londrina Golf Club.
O ''caddie'' é o auxiliar do golfista, responsável por carregar os tacos do atleta. E o que Silva aprendeu até agora foi pela observação. ''Mas já sei como me posicionar para preparar a tacada e a força que precisa ter. Só de olhar já dá para saber a posição dos pés e dos ombros'', ressaltou o jovem, que também sonha com o profissionalismo.
Se depender da história do esporte, o sonho de Leonardo pode tornar-se realidade. Relatos de jogadores que tiveram o primeiro contato com a modalidade como ''caddies'' são comuns. É o caso da coordenadora do Projeto Golfe na Escola. O trabalho como auxiliar de golfista permitiu que Josiane Botti fizesse Educação Física na Universidade Estadual de Londrina (UEL) e pós-graduação em Lisboa, Portugal. E foi em terras lusitanas que ela teve contato com o modelo do projeto que, desde 2005, já atendeu perto de 250 adolescentes de Cambé.
Outro exemplo é o craque Tiger Woods, que também começou como ''caddie''.


