Jovens discutem perigos do cigarro
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segunda-feira, 30 de agosto de 2004
Caroline Vicentini<br> Reportagem Local 
Dados do Instituto Nacional do Câncer (Inca) revelam que 90% dos fumantes adultos tornaram-se dependentes do fumo até os 19 anos de idade. O Brasil tem 30 milhões de tabagistas, sendo que quase três milhões são fumantes na faixa etária dos cinco aos 19 anos.
Os números são preocupantes e foram debatidos na manhã de ontem entre especialistas e mais de 200 estudantes de escolas públicas de Londrina durante o 2º Fórum Londrinense de Tabaco e Álcool. O evento, promovido pela 17 Regional de Saúde, Sesc e Núcleo Regional de Educação (NRE), é alusivo ao Dia Nacional de Combate ao Fumo.
O cardiologista Icanor Ribeiro, que participou do debate, acrescentou que o tabagismo é a principal causa de morte evitável no mundo. ''As doenças relacionadas ao tabagismo costumam aparecer 30 anos depois que a pessoa adquiriu o vício. Quanto mais cedo a pessoa desenvolver o vício, maior a possibilidade dela contrair doenças'', alertou. De acordo com o Ministério da Saúde, no mundo, cinco milhões de pessoas morrem anualmente por causa do cigarro. No Brasil, o número de mortes gira em torno de 300 mil por ano, uma a cada 23 horas.
Como conscientizar sobre os malefícios do álcool e do tabaco pessoas que estão em uma fase da vida marcada por descobertas, angústias e rebeldia? O médico ressaltou que é necessário um conjunto de medidas, que inclui desde programas de conscientização até aumento no preço do maço de cigarro. Outra forma de reduzir o consumo de álcool e cigarro entre os jovens é restringir cada vez mais a veiculação desses produtos na mídia. O pneumologista Guilherme Pessoa Fazolo acrescentou que outra forma de conscientização é destacar a estreita relação existente entre o tabagismo e a pobreza. ''Metade do lucro das empresas de cigarros concentra-se nos países de Terceiro Mundo'', revelou.
Depois das palestras os jovens foram desafiados a apresentar propostas de prevenção na comunidade em que vivem. Os estudantes sugeriram a criação de um grupo de apoio aos usuários dentro da escola. ''Os jovens acendem o primeiro cigarro acreditando que vão poder parar quando quiserem. Acredito que discussões sobre os perigos do tabaco e do álcool são sempre válidas'', avaliou a estudante Carolina Cristiane Vogler, 18 anos. O estudante Lucas Demétrius, 17 anos, enfatizou a possibilidade de discutir o assunto de igual para igual. ''Às vezes o adolescente considera a fala do adulto 'careta' '', explicou.
Os estudantes também apresentaram propostas de criação de novos centros de apoio aos dependentes químicos, normas que proíbam o consumo de cigarro dentro da escola e passeatas para alertar sobre os riscos do tabagismo.


