Jovens depõe contra mãe em julgamento
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sexta-feira, 06 de junho de 2003
Luciana Pombo<BR>Equipe da Folha 
Curitiba - Os estudantes Rodrigo e Rafael Crovador, de 23 e 21 anos respectivamente, filhos de Vera Lúcia Bittencourt Crovador e do advogado criminalista Luiz Renato Crovador assassinado com um tiro na cabeça no dia 3 de novembro de 1999 , confirmaram durante o julgamento da mãe, acusada de ter mandado matar o marido, que o casal estava passando por desavenças pouco antes da morte do pai. Os dois foram arrolados como testemunhas da acusação e foram ouvidos anteontem à noite, no primeiro dia do julgamento.
Os filhos sustentaram a versão da promotoria de que foram informados do motivo do crime e a participação da mãe pela própria tia, Maria de Fátima Crovador Bittencourt, atualmente delegada-chefe da 4Subdivisão de Polícia Civil, na região de União da Vitória. Ela teria dito que Vera estava ''louca''. Maria de Fátima nega a versão dos sobrinhos. A delegada contou disse que só pode ver a irmã horas depois de sua prisão.
A delegada disse que foi avisada por telefone pelo empresário Paulo Pacheco Mandelli, acusado de ser o principal dono de desmanches de veículos furtados no Paraná, para ir até o Centro de Operações Policiais Especiais (Cope) onde sua irmã estaria presa. ''Ela estava transtornada e dopada. Entre choros, me contou que foi presa injustamente e que o Paulo estaria tentando fazer ela confessar que mandou matar o Renato. Nunca disse para mim que mandou matar o marido. Meus sobrinhos estão mentindo'', alegou.
Maria de Fátima trabalhou com Crovador por cinco anos. Na época, ela advogou para Joarez França Costa (Caboclinho) e Mandelli. ''Por questões éticas não posso falar sobre os dois. Mas tenho certeza que o Renato morreu por causa de dinheiro. Minha irmã foi bode expiatório.''
A mãe de Crovador, Maria Clara Crovador, 80 anos, acusa a delegada de conivência com a irmã. Maria Clara disse que sabia dos romances de Vera Crovador e teria levado o filho ao apartamento do garoto de programa Milis Rogério dos Santos, desaparecido desde o assassinato e acusado de ter planejado a morte do advogado e de ter acertado com os executores. Até o fechamento desta edição, o julgamento ainda não havia terminado.


