Londrina
Os invasores de fundo de vale de Londrina já começam a ultrapassar os limites do Município. Uma nova invasão começou nos últimos dias num terreno que, apesar de pertencer à Companhia de Habitação de Londrina (Cohab-Ld), está na zona rural de Cambé, ao lado do jardim Olímpico 2. As primeiras famílias chegaram no local, segundo elas próprias, na sexta-feira. Ontem já eram 15 barracos - um terço deles ocupados por jovens solteiros com idades entre 16 e 20 anos.
Sem exceção, os jovens invasores tiveram algum tipo de problema com os pais e resolveram sair de casa. É o caso de Adriana Aparecida Camargo, 19 anos, e Kátia Regina, 18, que estão juntas num barraco, acompanhadas de bichinhos de pelúcia. Kátia brigou com a mãe e foi morar na casa de Adriana, um barraco no assentamento do jardim Olímpico 2. Chegou a vez de Adriana brigar com a mãe e as duas amigas resolveram invadir um lote no terreno vizinho. ‘‘Melhor aqui do que depender de pai e mãe e ficar ouvindo reclamação o tempo inteiro’’, compara Edson Fonseca, 20 anos, outro invasor que está no terreno com a namorada.
Junto com Edson Fonseca, seguiram alguns amigos. Entre eles, o auxiliar de pintor Cléber Pedro, 18, que morava com uma irmã. ‘‘Minha namorada engravidou e não dava para nós dois ficarmos lᒒ, justifica Cléber. Edson de Souza Melo, 16, outro amigo de Fonseca, ainda não se mudou para a invasão, mas está pensando a respeito. Ontem ele estava passeando pelo lugar. ‘‘Estou tomando coragem para vir de vez’’, disse Melo. O restante dos casos são famílias de várias partes da Cidade que não suportam mais pagar o aluguel.
Essa invasão ainda não está nas estatísticas da Cohab. Até ontem à tarde, nem a diretoria técnica nem o departamento de assistência social da Companhia sabiam da invasão. Mas o presidente da Cohab, Wilson Mandelli, avisa que a qualquer nova invasão haverá a reintegração pedida imediatamente e ninguém será realocado para outra área.
Levantamentos da Cohab revelam que cerca de 1.200 famílias moram em fundo de vales atualmente em Londrina. O número de invasões em terrenos públicos é 34, somando cerca de 2 mil famílias, o que equivalente a 10 mil pessoas. O número equivale à população estimada do jardim União da Vitória (zona sul), bairro que tem mais de 10 anos de existência.
O terreno invadido pelo novo grupo de sem-teto tem 14 alqueires e, segundo Mandelli, está em negociação com a Prefeitura e Câmara de Cambé para ser aproveitado no assentamento das 2.000 famílias invasoras de terreno, cadastradas pela Companhia. O espaço é suficiente para 421 lotes.

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