Logo que entram para a Toca de Assis, os jovens começam uma nova vida - portanto, assumem também novas identidades. Uma reação, contudo, parecer ser comum: ao ouvirem ''o chamado'', estranham - diante de um universo de possibilidades pessoais até então imaginado - e enfrentam sentimento não muito diferente por parte de quem os cercam.
Foi assim, por exemplo, com Irmã Maria Luz, de 27 anos. Há seis anos, largou o curso de fisioterapia no último ano da faculdade, em Belo Horizonte (MG), uma condição sócio-econômica tranquila, o namorado e o sonhos de matrimônio e maternidade. Quando descobriu a vocação, participando de pastorais da Igreja, se viu ''seduzida'' e não conseguiu mais tocar o curso adiante.
''Meus pais não aceitam isso até hoje, e, como eu e minha mãe éramos muito próximas, ela se sentiu meio que traída. Eu mesma tinha sonhos de casar e ser mãe, mas, pela adoração e por tudo que faço hoje, sei que não é a minha, mas a vontade de Deus, e sou feliz como não seria sendo mãe ou esposa'', disse.
Também mineiro, Irmão Anunciação, 27, lembrou que foi de encontros de grupos de jovens e de um retiro que surgiu ''o chamado''. Como foi? ''Nada fácil, pois meus amigos acharam que eu estava louco, ou, no caso dos meus pais, achavam que eu tinha sofrido uma espécie de lavagem cerebral. Confesso que até eu estranhei, já que queria ser psicólogo, tinha tudo em mente'', comentou. Se ele se arrepende? ''Enfrentamos momentos difíceis, como toda vocação enfrenta, mas foi importante porque aprendi a ver que pobreza não é sinônimo de tráfico, de ladroagem, e que esse é um desafio que Deus nos faz capacitados para enfrentar'', avaliou. (J.G.)

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