Jovens debatem redução da maioridade penal
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quinta-feira, 31 de maio de 2007
Fernanda Borges<BR>Reportagem Local 
Fazer os jovens compreenderem melhor a realidade brasileira quanto aos índices de criminalidade envolvendo os adolescentes no Brasil. Esse foi um dos pontos levantados pela presidente do Conselho Nacional da Juventude (Conjuve), Elen Dantas, durante debates realizados ontem em Londrina. Além do Colégio Estadual Olímpia Moraes Tormenta, localizado na Zona Oeste, a socióloga discutiu a redução da maioridade penal com estudantes da PUC de Londrina e jovens da Epesmel.
Promovido pelo Conselho Municipal de Juventude, e evento reuniu cerca de 160 alunos do Olímpia Tormenta. ''A cidade está precisando discutir a redução da maioridade penal pois muitos ainda acreditam que os problemas serão resolvidos com essa medida. Muitos jovens são pautados pela mídia e não buscam se informar melhor quanto aos índices que apontam uma outra realidade'', comentou o vice-presidente do Conselho Municipal, André Guimarães.
Ele se refere ao levantamento feito pelo Ministário da Justiça que, segundo Elen, revela que 23 mil jovens cumprem medidas sócio-educativas no Brasil. ''Deste número, 7,5 mil cumprem regime interno e destes, 0,03% cometeram alguma infração contra a vida. Isso significa que não está havendo impunidade, como muitos acreditam. Falar que reduzir a maioridade penal resolverá o problema da criminalidade no Brasil é uma mentira'', salientou a socióloga.
Mas, o assunto dividiu opiniões entre os estudantes. O aluno do 3º ano do Ensino Médio, Fernando Henrique Montenegro, 17 anos, é a favor da redução da maioridade penal por acreditar que essa medida reduzirá os índices de criminalidade envolvendo adolescentes. ''Eles vão começar a pensar melhor antes de cometer um crime pois saberão que vão para a cadeia'', disse. Já o Bruno Matias, 17, estudante do 2º ano, acredita que se o adolescente for para a cadeia terá menos perspectivas para o futuro. ''O problema está na raiz, na falta de condições de saúde e de educação, não está no ato que ele cometeu. A educação hoje é precária, não consegue competir com o ensino particular, por exemplo. Não sou a favor de bandido, mas prender o adolescente não resolverá em nada'', comentou.
Para a presidente do Conjuve, o jovem que vai preso acaba se tornando um ''doutor em crime''. ''É preciso mudar a questão da distribuição de renda, melhorar o acesso do adolescente às políticas públicas. Em qualquer lugar do mundo a pena para o adolescente é diferente do adulto. Exemplos como nos Estados Unidos, onde adolescentes com 14 anos são tratados como adultos, nos mostram que isso não dá certo, pois lá o índice de criminalidade só aumenta, além de surgirem crimes bárbaros a cada ano'', disse.
Ainda ontem, a socióloga participou do 2º Fórum Estadual de Políticas Públicas, realizado em Bandeirantes, onde jovens representantes de pelo menos 90 municípios estiveram reunidos.


