Velhos para ir ao pediatra e muito jovens para se consultar apenas com especialistas, os adolescentes contam com uma especialidade médica exclusiva para orientá-los sobre as mudanças que enfrentam neste período da vida. Trata-se da hebeatria, destinada a atender a puberdade de maneira integral, solucionando problemas de saúde, esclarecendo sobre as dúvidas e riscos que chegam com a nova fase e auxiliando no desenvolvimento de projetos pessoais.
A médica Albertina Duarte, coordenadora do Programa de Adolescência da Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo, esteve ontem em Londrina para discutir o tema, durante o 42º Congresso Médico, que está sendo realizado no Centro de Convenções do Hotel Sumatra desde terça-feira. Pesquisadora da Organização Mundial de Saúde e doutora em ginecologia, ela afirmou que os jovens contemporâneos enfrentam mais desafios que as gerações anteriores.
‘‘Os pais sempre chegam ao consultório dizendo que no tempo deles era tudo mais difícil, que os filhos têm vida boa, mas não acho que seja verdade. Entre outras coisas, os adolescentes precisam se preparar para um mercado de trabalho cada vez mais exigente’’, disse. Dentro deste panorama, a falta de informações cede lugar ao excesso. Novas tecnologias, como a Internet, contribuem para que os garotos e garotas tenham acesso a todo tipo de novidade. Contudo, não possuem tempo para amadurecer esses dados, que são acumulados sem discussão.
Estes jovens também vivem em um momento de perspectivas pessimistas com relação ao futuro. ‘‘Há muita falta de esperança, eles estão aprendendo a amar no tempo da Aids’’, acrescentou a médica. Para ela, a vida em grupo é importante como fator de proteção, ensinando a negociar em um espaço pequeno para torná-los aptos ao mundo dos adultos.
Apesar do excesso de informações, a gravidez na adolescência ainda é um problema sério no Brasil, relatou Albertina. Em 1999, um milhão de meninas até 19 anos deram à luz no país, 35 mil delas entre 10 e 14 anos, com média de um parto a cada 17 minutos. Uma pesquisa realizada com 56 mil adolescentes apontou que eles mantêm a primeira relação sexual entre os 14 e os 17 anos. Durante a experiência, medo e insegurança são os sentimentos mais comuns. Na maioria dos estados brasileiros, a incidência de Aids entre adolescentes também está aumentando, notadamente entre as mulheres muito jovens.

mockup