Jovens de Foz expostos à violência
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 25 de novembro de 2009
Luciano Augusto<br> Reportagem Local 
Foz do Iguaçu - Mais uma pesquisa realizada em nível nacional posiciona Foz do Iguaçu (Oeste) como uma das cidades mais violentas do Brasil. Desta vez, um estudo coordenado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública em parceria com o Ministério da Justiça em todos os 266 municípios com mais de 100 mil habitantes situa o município paranaense como o terceiro do país (ver tabela) onde jovens entre 12 e 29 anos estariam mais vulneráveis à violência.
Dentre os parâmetros que compõem a pesquisa, o que mais contribui para fazer de Foz uma das que mais expõe seus jovens a situações violentas é o indicador de mortalidade por homicídios - num indicador de 0 a 1, Foz apresenta 0,962, o mais alto entre os 10 municípios com grau ''muito alto'' de vulnerabilidade. Conforme a Polícia Civil, do início do ano até ontem foram registrados 145 homicídios. No mesmo período do ano passado, o número de vítimas já chegava a 187. Cascavel, também no Oeste, é tida como uma outra localidade paranaense de alta vulnerabilidade para a juventude. Assim como Foz, o município é rota para ingresso no país do contrabando e de armas e drogas do Paraguai.
O delegado de Homicídios de Foz, Marcos Araguari de Abreu, comentou que cerca de 90% dos assassinatos cometidos estaria ligado ao contrabando e ao tráfico. Homens jovens, com antecedentes criminais, somam o maior número de vítimas que geralmente são mortas por tiros de revólver ou pistola 9mm. ''O perfil do criminoso é aquele que premedita o crime, que monta mentalmente toda a situação para dificultar a investigação e que intimida testemunhas para que não os denuncie'', afirmou.
O delegado reconheceu que isso dificulta o trabalho da Polícia mas comentou que o combate a este tipo de crime também depende de ações em outras áreas. Ele afirmou, porém, que a redução dos homicídios reflete um maior investimento do Estado no aparelho policial da região.
O secretário de Segurança Pública de Foz, Adão Luiz Almeida, reforçou que a alta mortalidade entre jovens tem relação direta com o fato de o município ser porta de entrada de ilícitos. Outra situação específica de Foz, segundo Almeida, ''é a presença estratégica na região de membros de todas as organizações criminosas do país'', o que também contribui para o aumento da violência e criminalidade. ''Enquanto estivermos gastando com segurança pública só no eixo Rio-São Paulo não vai adiantar de nada, porque os criminosos de lá não fabricam arma e nem munição e muito menos produzem cocaína ou plantam maconha. Isso tudo vem do Paraguai'', destacou.
O secretário, que foi policial federal na região desde a década de 1980, disse que uma das estratégias para o combate à criminalidade é atuar com inteligência, capacitando as forças policiais e levando a presença do Estado até as áreas mais problemáticas. ''A criminalidade não está ligada apenas à pobreza, mas quando se faz investimento social (os indicadores) realmente diminuem.''
A Secretaria de Estado de Segurança Pública foi contatada mas não deu retorno até o fechamento desta edição.


