Curitiba - As propagandas preventivas podem ter surtido efeito positivo para diminuir o consumo de álcool e principalmente do tabaco, pelos jovens, nas capitais brasileiras. A queda no consumo das duas drogas foi constatada no Levantamento Nacional sobre Uso de Drogas Psicotrópicas entre Estudantes do Ensino Fundamental e Médio da Rede Pública de Ensino, realizada pelo o Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas (Cebrid) e pela Secretaria Nacional Antidrogas (Senad). Em Curitiba, 79,6% dos jovens entrevistados em 1997 consumiam álcool. Já em 2004 esse índice baixou para 68,8%. Quanto ao cigarro, a queda foi de 41% para 25,4% entre os dois períodos.
A pesquisa é realizada pelos dois órgãos desde 1987, porém pela primeira vez foi estendida para todas as capitais do País. Além das drogas lícitas, o levantamento também questionou sobre o consumo de maconha, cocaína e solventes em geral. Apenas este último item apresentou indíces crescentes. Apesar de não haver dados concretos, para a Senad e para o Cebrid, a intensa campanha publicitária sobre os malefícios do cigarro e a restrição de horários para as propagandas de bebidas alcóolicas podem ser as responsáveis pela queda dos índices.
Curitiba foi a segunda capital, entre as dez cidades em que há pesquisas comparativas, que apresentou a maior queda no número de jovens fumantes. Só perdeu para Brasília que diminuiu de 33,7% para 17,1% a quantidade de jovens tabagistas entre 1997 e 2004. Por outro lado, Curitiba, entre as 27 capitais do Brasil, é a décima em número de jovens fumantes, empatada com Porto Velho (RO). Já no consumo de álcool a capital paranaense também apresentou bons índices de redução, ficando atrás apenas de Brasília, Salvador e Recife. Porém, na comparação com as outras 26 cidades Curitiba é a quinta onde os jovens mais consomem bebidas alcóolicas.
O consumo de drogas como maconha e cocaína diminuiu na maioria das cidades onde se é possível comparar os dados de 1997 com os de 2004. Em Curitiba, o índice de jovens que consomem maconha passou de 11,9% para 7,1% e de cocaína diminuiu de 2,8% para 1,7%. Já o consumo de solventes cresceu. Para a Senad, isso pode ter acontecido porque os solventes estão disponíveis em produtos do uso cotidiano das pessoas. Na capital paranaense o uso de solventes entre joves subiu de 14,4% para 16,6% entre 1997 e o ano passado.
O levantamento abordou 48.155 estudantes com dez anos ou mais. Além do consumo de drogas a pesquisa também questionou alguns outros pontos da vida dos estudantes. Por isso foi possível constatar dados como o de que a maioria dos jovens que consome drogas pesadas tem relacionamento ruim com os pais. Outro dado interessante é que os rapazes apresentam maior índice de consumo de drogas. Segundo a Senad, uma explicação para isso pode ser o fato que entre as moças o maior índice de consumo de drogas está restrito a remédios para emagrecer e tranquilizantes.

mockup