Jovens conseguem superar trauma
Jovens conseguem superar trauma
Dorico da Silva
Aos 17 anosAndressa com o bebê de seis meses: Agora estamos muito felizesPara muitas jovens londrinenses, ser mãe na adolescência não é tão traumático como parece. A maioria acredita no amor pelo amor e dizem que se sujeitariam a morar embaixo de uma ponte para viver ao lado do marido e do filho. Poderia faltar dinheiro, pois, sem ser sonhadora, eu acredito que o amor pode sustentar a vida, diz Gisele Souto, 13 anos, grávida de quatro meses. Ela e o pai do nenê, de 16 anos, moram juntos com o consentimento dos pais em uma edícula nos fundos da casa de um tio do rapaz.
De 12 adolescentes entrevistadas pela Folha, apenas quatro receberam apoio dos pais no início da gravidez. As outras oito contam que depois a família aceitou normalmente o problema. Paradoxalmente, foram as mães (as futuras vovós) as últimas pessoas a aceitar a gravidez das filhas.
As meninas batem o pé e não aceitam o julgamento de que são imaturas. Não existe idade para ser mãe, pois trata-se de uma vocação natural da mulher. Adoro meu filho que vai nascer. Ele se chamará Pedro Henrique e sentirá orgulho de mim, sonha Franciane Satim Lopes, 14 anos, já no oitavo mês de gravidez. Apesar da barriga bem grande, ela ainda consegue frequentar o 1º ano colegial e pretende formar-se em Ciências Contábeis.
Uma das boas recordações que Franciane guarda ocorreu no início de sua gravidez. Foram o carinho e o apoio que recebeu dos pais. Casou-se no civil e pretende casar-se na igreja depois que Pedro Henrique nascer - com véu e grinalda. Ela frequenta o Centro de Referência do Atendimento ao Adolescente de Londrina (Craal) e participa, juntamente com outras adolescentes mamães, de preleções educativas.
Dorico da Silva
Aos 18 anosCristiane com Lucas: Apoio da minha família foi fundamental
Cristiane Alves, 18 anos, mãe de Lucas, que nasceu a menos de um mês, conta que se surpreendeu com o comportamento do pai quando lhe contou sobre a gravidez. Meu pai chorou, culpando-se, quando contei que estava grávida. Ele achava que não havia me preparado para a vida e por isto havia engravidei. O que mais me emocionou foi quando ele disse que eu não precisava casar para reparar o erro, pois me daria todo o apoio para criar meu filho. Cristiane diz que casou porque ama o pai de seu filho.
Ela completou o 2º grau e parou os estudos para cuidar de Lucas. Falando muito, a jovem diz que conseguir trabalho é o grande problema para quem é mãe. Para as mamães adultas, conseguir emprego já é uma luta, imagine para uma mãe adolescente. Existe um grande preconceito dos empresários para contratar mamães.
Andressa Fabrício Grecco, 17 anos, é mãe de um menino de seis meses. Ela viveu uma situação insólita, pois não sabia que estava grávida até o segundo mês. A mãe dela desconfiou e mandou fazer os exames. Quando cheguei com o resultado e mostrei a ela, foi como uma bomba que caiu dentro de casa. Todos ficaram apavorados. Eu comecei a chorar, revela, assegurando que hoje os pais fazem de meu filho o centro das atenções da casa. Agora estamos muito felizes. Ela diz ainda que não casou porque estaria cometendo outro erro.
A exemplo de Andressa, Bárbara Janaína dos Santos, 15 anos, não casou ainda: a família acha que ela é muito jovem. Bárbara está grávida de sete meses e conta que a decoberta da gravidez foi também feita pela sua mãe. Ela desconfiou e me levou para fazer o exame. Na realidade senti uma alegria muito grande quando fiquei sabendo que tinha um bebê dentro de mim. O menino deve nascer daqui a um mês e se chamará Matheus.
O lado trágico da mãe adolescente ocorre na periferia. A.C.T., 11 anos, grávida de cinco meses, está desesperada com a situação em que se encontra. No posto de saúde disseram a ela que a gravidez é de risco e ela pode morrer. A menina tem corpo franzino e aparenta idade ainda menor. A.C.T. mora no Jardim União da Vitória (zona sul), um dos bairros mais carentes de Londrina. Segundo a mãe da adolescente, ela foi abusada pelo primo, que fugiu para São Paulo.
Desde que a barriga começou a aparecer, a menina não foi mais à escola porque tem vergonha dos colegas. A irmã mais velha de A.C.T. chegou a levá-la à casa de uma mulher para fazer aborto, mas arrependeu-se no caminho. Somos pobres, mas temos vergonha na cara. Não vamos matar uma criança. Eu estava desesperada quando passou pela minha cabeça levá-la a fazer o aborto, afirma a irmã da menina grávida.
A um tio que mora em Guarapuava e pretende levá-la para ganhar o bebê naquela cidade, A.C.T. pediu de presente para o Dia das Mães uma boneca para brincar.





