Jaguapitã O corpo do taxista Luis Cândido Fernandes, de 63 anos, foi enterrado ontem à tarde no Cemitério Municipal de Jaguapitã (46 km ao norte de Londrina). Cerca de 500 pessoas, entre parentes e amigos, acompanharam o funeral. A vítima, um dos taxistas mais populares da cidade, foi assassinada na tarde de quarta-feira com três tiros na cabeça. Dois adolescentes, que de acordo com a polícia confessaram o crime, já estão detidos na Delegacia de Rolândia.
Fernandes trabalhava desde 1963 no ponto da praça, o único da cidade, e sua morte deixou a população assustada. ''O sentimento só não é pior porque os assassinos estão presos. Do contrário, a cidade ficaria ainda mais temerosa'', confessou o irmão da vítima, o também taxista João Batista Fernandes, de 66 anos.
Segundo o delegado de Rolândia, Valter Helmut, a polícia está investigando o que teria provocado a morte. Em depoimento, o adolescente mais velho, de 17 anos, o possível autor dos disparos, afirmou que o taxista teria assediado sua prima. ''Ele disse que a vítima gostava de mexer com mocinhas novas e que teria mexido com a prima dele. Essa é a motivação que eles alegaram'', contou o delegado. Helmut acredita também que os dois tenham premeditado o crime. ''Tenho certeza de que eles tinham a intenção de matar. A tese de latrocínio (matar para roubar) pode ter se configurado depois'', argumentou. Após a execução, os garotos levaram o carro, o celular e a carteira da vítima, contendo os documentos e cerca de R$ 40,00. ''O objetivo era matar, mas acabaram pegando tudo que tivesse valor'', prosseguiu Helmut.
A Polícia Militar encontrou o corpo por volta das 17h30 de quarta-feira, jogado em meio a um canavial do Distrito de São Martinho, munícipio de Rolândia. O taxista conhecia bem os garotos, de acordo com o irmão da vítima, e sabia que eles tinham a intenção de comprar drogas em Rolândia quando aceitou a corrida pelo valor de R$ 40,00. ''Ele achou que não era perigoso porque já tinha feito isso mais de dez vezes'', contou o irmão.
O assassinato aconteceu no caminho de volta. ''O mais velho pediu à vítima para parar o carro. Ele nem teve tempo de descer e foi alvejado com três tiros. O corpo foi colocado no banco ao lado e jogado numa estrada rural já em Jaguapitã'', contou o soldado da PM, Ariovaldo de Almeida.
A polícia deteve os garotos ontem pela manhã. Na casa do mais velho, perto da porta da cozinha, os policiais acharam uma bermuda manchada de sangue. ''Ele até negou no início, mas acabou confessando depois que achamos a bermuda suja. Além disso, entregou o outro garoto'', afirmou o soldado. Em depoimento, os adolescentes afirmaram que a arma do crime, um revólver calibre 38, já apreendida, teria sido comprada da própria vítima. ''Temos que ouvir outras testemunhas para saber se eles estão falando a verdade. O fato é que tem alguma coisa oculta nessa história'', ponderou o delegado Valter Helmut.

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