Primeiro vem o susto, o peso do significado da expressão ''trissomia do cromossomo 21''. Depois, a busca pelos melhores tratamentos e terapias de estímulo. Mais tarde, quando tudo poderia ser mais tranquilo, outra grande batalha: vencer as dificuldades de acesso ao mercado de trabalho. Este tem sido o caminho percorrido por famílias de crianças e jovens com Síndrome de Down, uma ocorrência cromossômica natural e universal, registrada em um de cada 800 nascidos vivos.

O sonho de ver os filhos transformados em adultos produtivos tem movido pais em todo o mundo, mas antes que isso aconteça, é preciso vencer a barreira da qualificação. ''Estimulamos nossos filhos desde que eles nasceram, sempre fizemos de tudo para que se desenvolvessem, mas agora não há quem os receba e os capacite para o mercado de trabalho'', afirma a pedagoga Andrea Cazella, mãe de Nathalia Cazella, de 21 anos, e uma das integrantes de um grupo de mães que idealizou a Geração Integrar, instituição prestes a entrar em atividade e que pretende atender basicamente adolescentes e adultos, com ações focadas em cultura, esporte, lazer e inserção no mercado de trabalho, por meio de um centro profissionalizante.

''Hoje faltam instituições que acolham os jovens e adultos com Síndrome de Down'', resume Andrea, ressaltando a grande capacidade de superação e senso de responsabilidade que os caracteriza. ''Criamos nossos filhos para o mundo, há muita coisa que eles podem fazer, mas para isso precisam de oportunidades, obviamente dentro de suas limitações. As pessoas devem saber que são as diferenças que nos completam'', argumenta.

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