Jovens carentes têm chance de emprego
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terça-feira, 23 de outubro de 2007
Mariana Guerin<br> Reportagem Local 
Há dois anos o designer Rafael Kudo colocou em prática uma idéia que estava guardada nos pensamentos dele há tempos: levar conhecimento à população carente. Para vivenciar o sonho, Kudo criou o projeto Qualificar, que já capacitou mais de 7 mil alunos da rede pública de ensino de Londrina. Hoje, o treinamento extrapolou para outras cidades do Norte paranaense, onde ele atende cerca de cem pessoas.
''A idéia inicial era levar a todos os alunos da rede pública uma vivência maior do mercado de trabalho'', diz Kudo, que trabalha como gestor de pessoas e negócios. Segundo ele, o projeto começou com mais de 40 palestras, as quais abrangeram o tema da empregabilidade como chave para o sucesso pessoal.
Foram capacitados jovens da oitava série do ensino fundamental até o terceiro ano do ensino médio de Londrina, Cambé e Ibiporã. As palestras eram gratuitas e ministradas pelo próprio designer.
''Houve uma certa resistência das escolas, que se perguntavam por que alguém ofereceria um serviço gratuito, mas ganhamos a confiança do Núcleo Regional de Educação e a aceitação dos alunos foi excelente'', conta Kudo.
''Minha idéia era montar uma organização não-governamental, mas como a burocracia é muito grande, resolvi tocar o projeto de forma mais simples'', completa o designer. No início, em 2005, as palestras foram subsidiadas pela empresa de Kudo, que atua na área de treinamentos corporativos e consultoria em Londrina.
''No ano seguinte, o projeto foi aberto para a comunidade e contou com uma assistente social que também promovia palestras nas escolas'', recorda. Empregabilidade, mercado de trabalho, relações pessoais, dicas de como preparar currículos e como se portar em entrevistas eram alguns dos assuntos discutidos nos encontros. ''Eram cursos profissionalizantes de educação corporativa'', define Kudo.
Sem patrocínio, ele passou a cobrar uma taxa simbólica dos participantes para cobrir gastos com divulgação, material didático, deslocamento e remuneração do instrutor. ''Por uma resolução do Núcleo, as escolas proibiram a entrada de pessoas de fora e ficou mais difícil fazer as palestras. Conseguimos fazer apenas nos colégios que já conheciam nosso trabalho.''
Este ano o designer desvinculou o projeto Qualificar da empresa de treinamentos e resolveu tocá-lo sozinho. Para isso, criou um curso profissionalizante com duração de um ano, com aulas de marketing pessoal até gestão de negócios. Ele mesmo prepara o conteúdo e ministra as aulas semanais.
''O curso começou em fevereiro e terminará em dezembro. Os alunos têm noções de atendimento ao cliente, telemarketing, secretariado e cerimonial e no final do curso terão que preparar um evento definido por eles mesmos para avaliação'', informa Kudo.
O curso atende 25 alunos em Cambé, 25 em Sertanópolis e 58 em Assaí. Por falta de uma sala de aula, o designer não conseguiu montar o treinamento em Londrina. ''Tive que cobrar uma taxa simbólica de 15 reais para manter os materiais, e os alunos até fizeram rifa para ajudar a pagar as apostilas.''
O público dos treinamentos são jovens a partir de 15 anos com ''vontade de se desenvolver''. A avaliação dos estudantes se dá por provas, para as matérias administrativas, e pelo comportamento do aluno nas dinâmicas de grupo, no caso das disciplinas ligadas à vendas e comunicação. Ao final do curso, os participantes recebem um certificado reconhecido pela empresa de Kudo.
''Muitos já conseguiram emprego e outros foram promovidos nas empresas onde trabalham'', comemora o designer. Segundo ele, o curso foi porta de entrada no mercado de trabalho para muitos jovens que hoje são auxiliares de escritório, secretários, operadores de telemarketing, caixas de supermercado e recepcionistas.
''Já perdi oportunidades de emprego por causa das palestras, por isso no ano que vem terei que colocar outra pessoa para assumir algumas aulas'', afirma Kudo, que busca patrocinadores para manter a gratuidade dos treinamentos.
''Ainda neste ano, o projeto pretende qualificar os candidatos às vagas temporárias que abrem comércio na segunda quinzena de novembro, além de palestras motivacionais para estudantes e profissionais que irão prestar vestibular'', prevê o designer.


