Numa sociedade onde o álcool e o tabaco podem ser adquiridos em qualquer esquina, drogas ilícitas acabam sendo cada vez mais atrativas para adolescentes. Pessoas que lidam diretamente com dependentes químicos afirmam que menores de 18 anos já não se interessam só pelo álcool, muito menos pelo cigarro. ''Percebemos que hoje a maconha e outras drogas ilícitas têm sido utilizadas cada vez mais cedo. O comportamento dos adolescentes em si, o risco que eles gostam de correr, tudo isso acaba expondo suas vidas à situações críticas, como roubo, furto, tudo para sustentar o vício'', diz Sérgio Belon, coordenador do Centro de Apoio Psicossocial (Caps-AD) Álcool-Droga, de Londrina. Apesar de não haver estatísticas oficiais, entidade sociais percebem, no atendimento diário, que a cada ano diminui a idade dos usuários.
Há um ano atendendo dependentes de álcool e drogas, o Caps-AD, localizado no Conjunto Eucaliptus (Zona Leste), oferece oficinas e palestras educativas a 101 pessoas. Desde total, apenas 20 são menores de 18 anos. Belon afirma que o número de jovens que procuram o programa é grande, porém, muitos acabam deixando de frequentar o local.
O Conselho Municipal Antidrogas, que trabalha em parceria com diversas entidades, já observou a queda da faixa etária entre os usuários de drogas. A presidente do Conselho, Vera Lúcia Feliciano Lopes, explica que o álcool é a porta de entrada para o caminho do vício. ''Os adolescentes estão começando a beber com 10, 12 anos de idade. O consumo de drogas entres menores é algo que está visível, temos relatos das entidades que nos comprovam isso todos os dias'', comenta Vera.
Zuca, crack, maconha, cocaína ou cola. Para muitos adolescentes, essas drogas são bastante comuns. Adriano (nome fictício), 17 anos, se tornou dependente de crack aos 10 anos, depois de passar um ano fumando maconha. ''Comecei fumando com um primo meu que já morreu. Na época eu também bebia bastante, daí comecei a ir para os botecos e então não parei mais'', diz o adolescente.
Para o menor, que há três meses frequenta o Caps-AD, parar com as drogas continua sendo um desafio. Assustado com os efeitos que já sofreu com o crack, ele também já cheirou cola. ''Faz uns seis meses que não uso nada. Ainda sinto muita vontade. Já fui internado um monte de vezes, mas hoje sei que o crack é a pior droga que existe'', comenta.
Lidia (nome fictício), 15 anos, é uma adolescente com um rosto alegre e, ao mesmo tempo, assustado. Ex-viciada em maconha e mesclado (mistura de maconha com crack), ela começou a usar drogas com 13 anos, quando fumou seu primeiro baseado. ''Fumava com meus amigos, não ligava para nada. Agora estou parando e não quero mais'', relata.
Os efeitos do crack passa rapidamente e minutos depois de cada tragada, o viciado sente necessidade de fumar novamente. A médica psiquiatra do Caps-AD, Gabriela Lima Pires, explica que no organismo dos adolescentes o efeito das drogas podem ser ainda piores do que num adulto.
''Dependendo do uso esse adolescente passa a ter um déficit cognitivo que trará problemas de comportamento, de compreenssão e aprendizado. Cada um tem uma reação à droga, mas em casos mais intensos esse menor pode vir a sofrer também uma psicose, síndrome de pânico ou uma depressão. Quando estão tentando largar a droga, são agressivos e não aceitam o tratamento, mas quanto antes o adolescente abandonar o vício, menos problemas terá no futuro'', explica.

Serviço: - O Centro de Apoio Psicossocial Álcool-Drogas atende pelo telefone (43) 3337-4456.

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