O número de pessoas desocupadas e procurando trabalho no Brasil aumentou 28,4% de julho do ano passado para agosto deste ano. Em contrapartida, considerando as categorias de ocupação, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o contingente de trabalhadores que atuam por conta própria cresceu 1,4%. Iniciativas deste tipo estão surgindo entre os 83.550 adolescentes de Londrina de acordo com o Censo 2000 na faixa etária de 10 a 19 anos. O fabricante de bumerangues Eduardo Barbosa de Oliveira Silva, 14 anos, a artesã Josemara Faria Lima, 14 anos, e o microempresário de sorvetes Fernando Henrique Vieira de Souza, 16 anos, são alguns destes exemplos (veja textos nesta página). Eles lutam para conquistar seu espaço na sociedade e no mercado de trabalho.
A iniciativa de gerar renda, para o presidente da Associação Brasileira de Adolescência (Asbra), médico Walter Marcondes Filho, que há 20 anos trabalha com adolescentes em Londrina, é ''fantástica''. ''Em primeiro lugar, porque a ação parte dos próprios jovens e depois porque permite que a criatividade aflore sem limitações'', comenta o especialista.
Porém, de maneira geral, de acordo com Marcondes Filho, a situação entre os adolescentes é desestimulante. Dos 500 jovens que passam diariamente pelo Centro de Referência de Atendimento do Adolescente de Londrina (Craal), 90% reclamam da falta de motivação causada pelo desemprego e pela falta de qualificação profissional.
Hoje não existem dados estatísticos que apontem o número de adolescentes desocupados ou procurando emprego em Londrina. Informações sobre a renda familiar e a população economicamente ativa do Censo 2000 ainda estão em processamento. Segundo o chefe da agência do IBGE em Londrina, Alfeu Celso Campiolo, as projeções feitas em 1999 indicam uma população economicamente ativa equivalente a 47% do total dos 447.065 londrinenses adultos e jovens.
Entretanto, para o presidente da Asbra, o crescimento do contingente de adolescentes desocupados é visível. A desqualificação técnica, escolaridade baixa com alto índice de reprovação e estrutura familiar desfuncional são os fatores negativos que levam a um círculo vicioso e ao consequente desemprego. ''A taxa de desemprego é alta, mesmo entre àqueles que saem da universidade e são de classe média'', conclui Marcondes Filho.

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