Jovens bebem mais e cada vez mais cedo
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quarta-feira, 07 de fevereiro de 2007
Guilherme Borges<BR>Reportagem Local 
Quando chega o final de semana, a ''cervejinha é de lei'', garante o estudante Thiago André Lourenço, 19 anos, e assim como ele muitos outros jovens aproveitam os dias de folga para ''relaxar e se divertir'' com amigos, namoradas e uns copos de qualquer bebida alcoólica. ''O que acontece é que estes adolescentes estão bebendo cada vez mais cedo e não têm clareza da quantidade que eles estão ingerindo'', alerta a psicóloga Solange Maria Beggiato Mezzaroba.
Ela defendeu uma tese de doutorado em Educação no campus da Unesp de Marília (SP), intitulada: ''Bebidas Alcóolicas na Adolescência: relação entre uso e domínios sociais''. Solange analisou dois grupos de adolescentes do 3º ano do Ensino Médio de dois colégios - um público e outro particular - da Região Central de Londrina. ''Foram aplicados questionários e depois entrevistas individuais. Percebi que eles não conhecem os limites para ficar bêbado e que os pais e a sociedade precisam se mobilizar''.
Diferente do que diz a psicóloga, Lourenço garante que conhece seus limites. ''A hora que percebo que começo a esquentar, eu paro. Os olhos também já acusam''. Ele conta que começou a beber com 16 anos e que a primeira vez que ingeriu álcool foi fora de casa. ''Mas meus pais sabem'', ressalta, revelando um dado já identificado pela psicóloga. ''Parte dos jovens começam a beber ou com amigos mais velhos ou com os próprios pais. Quando isto não acontece, os pais deram consentimento''.
Estas novas ''tendências etílicas'' também apareceram em uma pesquisa realizada pelo Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas e Psicotrópicos (Cebrid), da Universidade Federal do Estado de São Paulo (Unifesp). Os pesquisadores identificaram que 48,3% dos adolescentes ouvidos (52,2% dos meninos e 44,7% das meninas) tomam bebidas alcoólicas, embora não sejam dependentes do álcool. Os casos de dependência aparecem mais no nordeste do País, com índice de 9,3%. A região sul parece em segundo lugar com 4,5%. O trabalho foi realizado em 107 cidades brasileiras com mais de 200 mil habitantes.
A psicóloga destaca outro dado do Cebrid, que aponta que atualmente os brasileiros começam a beber com 12 anos, em média. ''Eu identifiquei ainda que estes jovens não precisam de motivo para beber. Já se tornou um hábito. Eles não vão em uma festa e bebem. Eles fazem a festa para beber''. Carlos Alexandre Ortega, hoje com 25 anos, lembra que costumava fazer o mesmo na adolescência. ''Com 15, 16 anos a gente saía para beber. Hoje, com relação estável, saio entre amigos, não somente para beber, mas para me divertir. Bem diferente do que naquela época''.
E o que fazer diante desta realidade apresentada pelas pesquisas? Solange afirma que é preciso uma reflexão da sociedade. ''Não estou advogando a favor da abstinência, mas é preciso que estes jovens sejam, ao menos, orientados de como beber e quais os limites para que não interfiram na vida dos outros e nem prejudiquem a própria vida. Por mais que eles pensem que a decisão de beber seja pessoal, ela é moral, pois se relaciona com outras pessoas direta ou indiretamente''.
Ela ainda chama os pais às suas responsabilidades como educadores. ''Eles são modelo. Não adianta falar para o filho não beber e ingerir álcool em festas ou em casa. É preciso encontrar um meio termo nesta relação''.


