Jovens Bahaí representam o Brasil na ONU
Célia Baroni
Sete jovens propagadores da fé Baháí de diversos estados do Brasil estão em Londrina para divulgar os ensinamentos de Baháulláh Abhá, criador da religião. Entre eles está Milena Dalmaschio (foto), 18 anos, de Brasília, que vai representar o Brasil em uma conferência mundial da Organização das Nações Unidas (ONU) em Nova York. O encontro mundial tem como tema a situação das meninas e adolescentes em todo o mundo. Representantes de 20 países vão participar do evento, apresentar reivindicações e propostas.
É uma experiência única e estou muito feliz por poder participar, diz. Dos jovens que vão estar no congresso, três são da fé Baháí. Milena explica que a Baháí nasceu em 1844 e hoje é considerada a segunda maior organização não-governamental (ONG) do mundo. Quando a ONU foi criada, já contava com a participação Baháí, explica.
Em Nova York ela pretende defender a igualdade de direitos e reforçar os princípios que regem a fé Baháí: unidade universal e paz mundial. Para os Baháís a Terra é um só país e os seres humanos seus cidadãos. Eles não aceitam preconceitos de raça, cor ou religião, e pregam a existência de um único Deus. Não negam as outras religiões e acreditam que Jesus Cristo, Buda e outros são mensageiros deste único Deus, enviados para propagar os ensinamentos conforme a época.
Como muitos jovens que seguem os ensinamentos Baháí, Milena concluiu os estudos de 2º grau e resolveu dedicar um ano à divulgação da fé. Os jovens Baháís interessados em trabalhar como instrutores passam por um curso e recebem ajuda de custo do Comitê Nacional de Ensino Baháí. Os instrutores passam de casa em casa falando sobre os princípios da religião e distribuindo panfletos informativos.
Uma língua bondosa é o ímã dos corações dos homens. Essa frase faz parte dos ensinamentos da religião que orienta o Baháí a não usar palavras agressivas ou palavrões. O namoro também segue normas diferenciadas entre os Baháís. Segundo Shoghi de Andrade, a religião orienta o jovem a não ficar pulando de namoro em namoro e a se casar virgem. A castidade não é uma obrigação, é uma opção. Se a pessoa conhecer melhor o caráter e o modo de pensar da outra antes de decidir se casar vai ter mais chances de ter um relacionamento feliz, afirma.
Milena explica que a religião Baháí não tem líderes: tudo é coordenado por instituições, e cada uma administra um tipo de atividade. Londrina é apenas o primeiro ponto de passagem do grupo de Milena. Bianca Rothschild, 17 anos, de Niterói, e Sam Momen, 18 anos, do Rio de Janeiro, seguem para Cuiabá (MT). Shoghi de Andrade, 18 anos, de Belo Horizonte (MG), vai para a Austrália. Durante um ano eles serão enviados de cidade para cidade e de país em país fazendo o trabalho de divulgação da fé. Bianca Rothschild afirma: A cada lugar que vamos nos sentimos quase em casa.





