De janeiro a outubro deste ano, 61 pessoas morreram afogadas nos rios e cavas (pequenas lagoas) de Curitiba e Região Metropolitana. Nesses locais, por razões de segurança, é proibido tomar banho. A estimativa do Corpo de Bombeiros é de que o número de mortes neste ano seja maior que as 78 registradas em 1997.
Isso porque ainda serão computadas as inevitáveis vítimas de novembro e dezembro, meses de maior incidência - por causa do calor - de acordo com o 1º tenente Luiz Carlos Cândido, chefe do setor de estatística do Corpo de Bombeiros. No ano passado, por exemplo, em novembro ocorreram dez mortes e, em dezembro, 19 casos fatais.
Segundo Cândido, os locais de maior incidência de afogamentos são a represa do Rio Passaúna - 16 mortes em 1997 e nove em 1998 - e as cavas do bairro Boqueirão - oito em 1997 e sete em 1998. De acordo com ele, de 50% a 60% das vítimas era de jovens, com idade entre 14 e 20 anos.
Marcelo Almeida... até que chega a Guarda Municipal e os espanta. Mas eles voltam sempre, acreditando, inocentemente, que escaparão ilesos às armadilhas da ‘‘Prainha do Boqueirão’’Absolutamente alheios ao perigo, um grupo de crianças e adolescentes se livrava do calor de mais de 30 graus de ontem mergulhando nas cavas do Boqueirão, exatamente o segundo lugar mais perigoso.
Com a chegada da Guarda Municipal de Curitiba, responsável por fiscalizar e impedir o banho nas cavas, os garotos saíram apressados da água, juntaram roupas e calçados num bolo e correram.
Mas os guardas, que expulsam os garotos diariamente, não conseguem impedir que eles voltem. ‘‘A gente manda embora, mas eles só esperam o carro subir o viaduto para retornar’’, diz o supervisor da Guarda Municipal do agrupamento da região do Boqueirão, Wagnelson Oliveira. Para ele, os adolescentes se arriscam porque moram em favelas, não têm cultura e consciência do perigo que correm.
Pobres, sem trabalho e muitos sem estudo, os meninos dão resposta imediata à pressão dos guardas. ‘‘Se eles estão incomodados, porque não arranjam outro lugar para a gente nadar?’’, pergunta Rafael Pereira, 9 anos. Os garotos, todos moradores da vila Xapinhal, no bairro Sítio Cercado, caminham quase uma hora, sempre em dias quentes e nos finais de semana, para chegar ao que consideram uma ‘‘piscina particular’’, chamada por eles de ‘‘Prainha do Boqueirão.’’
A maioria deles diz já ter visto alguém morrer afogado ou pelo menos conheceu uma vítima. Mesmo assim, todos acreditam estar seguros. ‘‘A gente já tem noção de onde pode ir e não se arrisca’’, afirma Carlos Menezes dos Reis, 17 anos, que está sem trabalho e parou de estudar na 5ª série do 1º Grau.

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