Jovens aprendem a contar histórias para surdos
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quinta-feira, 11 de julho de 2002
Célia Polesel<br> Reportagem Local 
Douglas e Guilherme fizeram ontem sua estréia como contadores de histórias. ''Os Três Porquinhos'' e ''João e o Pé de Feijão'' fizeram a alegria de cerca de 35 pessoas, entre alunos do Instituto Londrinense de Educação de Surdos (Iles) e pais e amigos, que foram assistir à apresentação. Douglas Otássio Romero Júnior, 18 anos, e Guilherme Augusto de Souza, 13 anos, também têm deficiência auditiva. Eles são atendidos pela Clínica de Fonoaudilogia da Universidade Norte do Paraná (Unopar), onde foram orientados na elaboração das histórias apresentadas.
Guilherme desenhou a história de João, um menino que subiu no pé de feijão e enfrentou um gigante, para contar às crianças. Ele quer ser artista plástico e já demonstrou que tem talento para isso. Douglas usou bonecos e casinhas para contar a história dos três porquinhos, que são perseguidos por um lobo mau. Ao final das histórias, os meninos foram muito aplaudidos.
Douglas acredita que preparar a história o ajudou e que aprendendo mais poderá ajudar a ensinar outras crianças surdas. ''No futuro vai ser bom ajudar as outras crianças. Eu gosto de contar histórias'', resumiu. Guilherme gostou da experiência porque pôde aprender novas palavras e melhorar a sua comunicação com as pessoas. ''Achei fácil contar a história com a linguagem dos sinais.''
A professora Patrícia de Carvalho, da Unopar, conta que o projeto, do qual os meninos foram os primeiros a participar, tem dois objetivos principais. Um é valorizar a libras (linguaguem dos sinais) e também facilitar a aprendizagem das crianças menores. ''Nós começamos a falar interagindo com os adultos. As crianças surdas precisam interagir com quem usa a libras para conseguir aprender com mais facilidade.''
Patrícia explica que Douglas e Guilherme puderem participar por dominar bem a linguagem. ''O trabalho que foi feito motiva a leitura, porque eles precisam entender a história para depois traduzir para a libras e poder contar para os menores.''
Para aprender a falar e escrever em português as crianças surdas têm as mesmas dificuldades de quem vai aprender uma segunda língua. Segundo Patrícia, as famílias de Douglas e Guilherme já notaram uma melhora na estruturação das frases escritas dos meninos.
O projeto da universidade começou em abril e faz parte do trabalho de conclusão de curso de Cristiane Móvio. A estudante conta que está sendo muito bom ter essa interação com os pacientes. ''É gratificante ver o empenho deles. O trabalho também aumenta o vocabulário pois a libras não tem várias palavras que há em português e muitas vezes temos que improvisar aproximando palavras.'' A partir de agosto eles começam a trabalhar outras histórias.
Cristiane e Patrícia disseram que a clínica está aberta para outros adolescentes que queiram participar do projeto. Atualmente, a clínica atende 15 surdos, entre crianças e adolescentes.


