Jovens alimentam indústria da pirataria
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quinta-feira, 26 de junho de 2008
Mariana Guerin<br>Reportagem Local 
Jovens preferem preço baixo à qualidade e nunca se vendeu tanto DVD falsificado em Londrina. Barraquinhas têm se proliferado por toda a parte, não só nos camelódromos como nas ruas do Centro e nas avenidas mais movimentadas dos bairros. É o que constatou o estudante Leonardo Henrique Marcovig Borges, 23 anos, em seu trabalho de conclusão do curso de Administração da Universidade Estadual de Londrina (UEL).
Borges estudou a pirataria em DVDs em Londrina e os reflexos sobre o comportamento dos consumidores e confirmou que o preço ainda é o que mais influencia os jovens na compra de produtos falsificados. Para realizar a pesquisa, ele entrevistou, no período de uma semana, 400 homens e mulheres com idades entre 15 e 25 anos, em diversas localidades da Região Central.
O estudo apontou que 80% dos entrevistados consomem pirataria, principalmente nos camelódromos (49%). O preço baixo lidera os motivos de compra (88,6%), seguido pela posse definitiva (44,8%), possibilidade de ver o filme antes de ser lançado no cinema (36,7%) e fácil acesso (29%). Entre os motivos de rejeição à pirataria, Leonardo descobriu que a maioria não consome DVDs falsificados em respeito a princípios (29%).
Mas a diferença é pequena em relação ao download na internet (26%) e ao fato de o indivíduo não assistir filmes regularmente (22%). Quatro por cento dos entrevistados acreditam que comprar DVDs piratas prejudica o comércio formal e apenas 1% considerou a pirataria um crime.
Mulheres e homens compram em proporção semelhante. Mulheres compram mais nas ruas e homens nos camelódromos. Para as mulheres, o acesso ao local da compra é mais importante que o preço, fator determinante para os homens, explicou Leonardo. Segundo ele, os homens também são mais ligados no fator risco. Preferem que o produto tenha garantia.
Um dado curioso é que os jovens entre 15 e 20 anos, apesar de consumirem mais produtos falsificados, consideram a pirataria um crime. Já no quesito renda, os que ganham mais preferem qualidade e locam filmes em videolocadoras. Quanto maior a renda, maior a exigência do consumidor, comentou o estudante.
Pelas informações obtidas no trabalho, Leonardo distinguiu dois perfis de consumidores em Londrina. Quem freqüenta as locadoras tem entre 20 e 25 anos, renda superior a R$ 700 e cursa ou cursou recentemente uma faculdade. Já os consumidores de DVDs pirata têm entre 15 e 21 anos, ganham menos de R$ 700 e ainda não possuem título acadêmico, informou o estudante, ressaltando que há uma grande quantidade de consumidores (54% dos pesquisados) que compra piratas e locam vídeos ao mesmo tempo.
Sugiro que seja feita uma campanha específica para os jovens entre 15 e 21 anos, já que 94% do consumo de pirataria ocorre nesta faixa etária. Também defendo a diminuição nos impostos pagos pelas videolocadoras para salvar o setor, opinou Leonardo, que não compra DVDs piratas por princípios, claro.


