Jovens admitem violência e discriminação
Israel Reinstein
De Curitiba
Qual é o grau de violência vivenciado pelo jovem de Curitiba? Uma pesquisa coordenada pela socióloga Ana Luisa Fayet Sallas procurou descobrir. Patrocinada pela Unesco (órgão das Nacões Unidas para infância e juventude) e a Secretaria Estadual de Educação, o trabalho Juventude, Violência e Cidadania O caso de Curitiba verificou que metade dos jovens entrevistados vivenciaram alguma agressão no seu dia-a-dia.
Mas as informações da pesquisa não se limitaram apenas a quantificar os casos de violência. Após entrevistar 900 jovens de 14 a 20 anos, de diversas camadas sociais, e 400 profissionais de educação, escolhidos em escolas diferentes portes e clientela, a pesquisadora pode traçar um perfil dos jovens da cidade, sabendo como eles pensam e agem diante do sexo, discriminação, preconceito, família, escola, entre outros assuntos.
Em suma, a pesquisa pode traçar, junto com mapa da violência nas escolas, também captar o pensamento dessa geração. Em um dos pontos pesquisados, uma parcela significativa dos jovens consideram correto a afirmação que os migrantes trazem problemas para a capital. Mas na conclusão da pesquisa, uma das constatações foi descortinar os estereótipos que se constróem dessa geração que ora é inocente, ora é considerada bandida.
Índio pataxó O que motivou a realização da pesquisa foi o incidente envolvendo o índio pataxó Galdino. Em abril de 1997, dois jovens de classe média de Brasília queimaram o índio que dormia numa praça da cidade. Preocupado com a ação, a Unesco patrocinou pesquisadores de universidade brasileiras de seis capitais, entre elas Curitiba.
O objetivo principal da pesquisa era verificar como o jovem vê a violência. No entanto, o trabalho desenvolvido no Paraná buscou também traçar um perfil dos jovens. O resultado da pesquisa será apresentado oficialmente pela coordenadora Ana Luisa Fayet Sallas somente em fevereiro, quando será editado um livro sobre o assunto.
A pesquisa foi desenvolvida entre o período de junho a dezembro do ano passado. E o levantamento demonstrou, por exemplo, que alguns pais e professores não sabem como desenvolver a formação dos jovens. Na amostragem, os jovens indicaram esses dois segmentos com os principais pilares na formação pessoal a família (46%), escola (38%), mídia (14%) e religião (5%). Em contrapartida, os professores quase que desconsideraram a sua participação nesse processo, ficando para 51% dos entrevistados a família como a principal instrumento de educação, seguido da mídia (para 40%), escola (8%) e a religião (1%).
Entre os pais, mais um terço deles não sabem o que fazer com os filhos quando eles se envolvem em problemas de violência, drogas ou sexualidade. Na maioria dos casos, eles deixam que a decisão seja toamda pelos professores e orientadores, sendo que outro terço busca punir seus próprios filhos.
A discriminação também é tratada na pesquisa. A visão dos jovens frente a negros, homossexuais e prostitutas chega a chocar. Quase 20% não vê problema em tomar atitudes segregacionistas ou agressivas diante desses grupos. Para a coordenadora da pesquisa, a visão dos jovens é reflexo da sociedade que convivem.
Essa mesma sociedade é que balizaria as ações da polícia. Mesclado ao assunto violência, os policiais são denominados com um mal necessário. Excessivos nos bairros de periferia e insuficientes nos bairros de classes média e rica, eles agiriam discriminando raça e condições financeiras.
Também é demonstrado qual é o lazer principal dos jovens. Os shoppings são pontos de encontros deles. Mas entre as diversões em grupos de amigos, a bebida ganha espaço. é o caso do estudante Emerson Zonari, que junto de Milton Luis dos Santos, bebiam num bar, às 10 horas de quinta-feira. Não tem problema, não estou enchendo a cara, apenas conversando com amigos, disse Emerson.Pesquisa entre estudantes e professores de Curitiba mostra que jovens convivem com violência e admitem a discriminação
Kraw PenasCOMEÇANDO CEDOMilton Luiz dos Santos e Emerson Zonari com colegas menores de idade no bar, pela manhã: apenas conversando com amigos





