Jovem transforma paixão por turismo em trabalho
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 19 de maio de 1999
Benê Bianchi 
Márcio José Vargas da Cruz, 20 anos, é um apaixonado por turismo. No sentido de botar a mão na massa e fazer acontecer, bem entendido. O fascínio surgiu cedo, quando ele tinha apenas 14 anos, e só fez crescer com o passar do tempo. Hoje, seu grande sonho é um dia poder contribuir para o desenvolvimento da indústria do turismo no Brasil, que é a terceira maior atividade econômica do mundo. Mas o País ainda aparece encostado na 40ª colocação no ranking mundial. Até mesmo a vizinha Argentina recebe, por ano, o dobro de turistas estrangeiros que o Brasil, informa ele.
Se depender de dedicação e entusiasmo, o setor terá uma contribuição importante do atual estudante de economia da Universidade Estadual de Londrina. O curso foi escolhido por proporcionar, na opinião de Márcio Vargas, uma visão mais ampla sobre o próprio mercado de turismo, ao qual ele já dedica grande parte de seu tempo. Atualmente, ele divide a agenda entre os estudos e o trabalho no Hotel Mabu Termas Resort, em Foz do Iguaçu. E ele garante que dá para conciliar as duas atividades sem prejuízo a uma ou outra.
Fico cinco ou seis dias em Foz, uma ou duas vezes por mês, e o resto do tempo em Londrina. Acaba dando certo, garante ele. Quando está na casa dos pais, no entanto, ainda divide o tempo entre a universidade e os projetos de turismo que desenvolve na cidade, como guiar pessoas que vêm a negócios à cidade pelos pontos turísticos locais e um projeto de turismo na Fazenda Cachoeirinha. Aliás, turismo rural foi o tema da primeira palestra que Márcio assistiu, quando ainda era menino.
Eu tentei ser jogador de futebol, fiquei um ano fora de casa jogando para vários clubes. Mas quando percebi que meu negócio era turismo voltei para Londrina, conta. Tão logo chegou, fez um curso de monitor municipal do Programa de Municipalização do Turismo no Brasil, promovido pela Embratur, e o de guia de turismo nacional e para a América do Sul.
Bastou se enfiar na área para ser convidado a trabalhar, durante a semana do Natal de 1996, no então recém-inaugurado Hotel Mabu. Uma amiga ligou num dia para eu embarcar no outro. Pensei uma vez só e aceitei. Ele deveria ficar apenas uma semana, mas acabou recebendo convite para continuar o trabalho até o reveillon e continua lá até hoje.
No começo, Márcio só trabalhava com crianças - acho que elas foram as responsáveis pelo convite para eu continuar no Mabu, considera Márcio. O trabalho de monitor de recreação que desenvolve em Foz não é moleza. As atividades começam cedo, por volta das 9 horas, e só terminam às 23 horas. Mas é uma delícia. A gente se diverte junto ou até mais que as crianças; e com os adultos também é muito prazeroso, diz.
Nem mesmo as crianças mais pentelhas tiram o humor de Márcio. Ele conta que há técnicas para lidar com elas e, no fim, todos ficam amigos. Cada público - criança ou adulto - tem suas características. Lidar com as pessoas exige sempre um aprimoramento.
Embora esteja sempre atento ao trabalho, os imprevistos do dia-a-dia não eximiram Márcio de alguns micos. Um deles aconteceu recentemente, em Foz. Ao retornar de um torneio de pesca com um grupo de turistas, passou pela piscina, onde outro grupo fazia hidroginástica. Mostrou um peixe e começou a brincar se deveria ou não jogá-lo na piscina. Qual não foi sua surpresa quando o peixe escorregou de sua mão e foi direto para dentro dágua. Foi só gente saindo correndo da piscina. O peixe ainda deu um baile nele de mais de meia hora, até ser recapturado.
Outra vez saiu com um grupo da terceira idade para uma volta no Castelo Eldorado, na região de Londrina. Mas se esqueceu de contar o número de pessoas que estavam no ônibus. Ao fazer uma parada e se tocar da gafe, pediu para que cada turista olhasse se o companheiro que havia viajado a seu lado se encontrava no ônibus. O problema foi que eles já tinham mudado várias vezes de lugar e ficaram assustados com o pedido do guia. Por sorte não deixei ninguém para trás.
Em Londrina, Márcio é guia do Recanto Ecológico Fazendinha e está se dedicando ao desenvolvimento do turismo rural na Fazenda Cachoeirinha, localizada a quatro quilômetros do Catuaí Shopping Center. Ali tem um potencial enorme. Só com o dinheiro arrecadado até agora já conseguimos melhorar bastante a infra-estrutura do local, construímos uma piscina, um minicampo de futebol, enumera.
Para ele, a cidade tem um potencial turístico mas não é bem aproveitado. O Salto Apucaraninha e a reserva indígena dos caingangues são exemplos citados por ele. Uma vez levei um grupo de estudantes para conhecer o salto e a reserva, mas a uma certa altura o ônibus não pôde prosseguir devido às condições da estrada. Além disso, lá não tem banheiros e nem onde comer.
Para Márcio, os próprios índios poderiam cozinhar comidas típicas para os turistas, abrindo uma fonte de renda para eles. Ele defende que para haver um atrativo turístico é necessário oferecer um produto turístico. Essa, comenta ele, é uma falha do setor no Brasil. Se você vai para a Disney, por exemplo, eles vendem até a orelha do Mickey. Nós precisamos aprender a desenvolver produtos turísticos.
PERFIL
Nome:
Márcio José Vargas da Cruz
Idade:
20 anos
Hobby:
futebol e teatro
Sonho:
contribuir para o desenvolvimento da indústria do turismo no Brasil


