Jovem testemunha que doença não destrói vitalidade
Jovem testemunha
que doença não
destrói vitalidade
Valéria contraiu o vírus HIV há 10 anos e revela,
em livro, que a vida pode continuar normalmente
Dá para ter vida
sexual normal, mesmo
com Aids. É só se
cuidar direitinho
Guilherme Pupo
Mauro Frasson
ConfiançaValéria Polizzi fala a alunos do Colégio Dom Bosco: conselhos e mensagem de coragem e otimismoA paulista Valéria Piassa Polizzi, 27 anos, está há dez anos convivendo com o vírus HIV mas não perdeu a coragem, a determinação e o otimismo. Ela contraiu o vírus aos 16 anos, em relação sexual com o primeiro namorado.
Descobriu que estava com o HIV dois anos depois, mas no começo escondeu a notícia dos amigos. Na época, a Aids era muito associada à morte nas campanhas de prevenção e as pessoas tinham bem mais preconceito, lembra.
Depois de uma viagem aos Estados Unidos, aprendeu a lidar com a doença sem preconceitos e resolveu contar sua história na autobiografia Depois Daquela Viagem - Diário de bordo de uma jovem que aprendeu a viver com Aids.
O livro já alcançou a venda de 20 mil exemplares e está na 11ª edição. Neste fim de semana, ela esteve em Curitiba para lançar o livro e contar sua história para estudantes. Leia abaixo alguns trechos da entrevista:
Folha- Como você contraiu o vírus HIV?
Valéria- Eu tinha 16 anos e contraí o vírus em relação sexual com meu primeiro namorado, porque não pedi que ele usasse camisinha. Naquela época a gente achava que só as pessoas pertencentes a grupos de risco pegariam Aids - prostitutas, homossexuais, hemofílicos e usuários de drogas. Além disso, a Aids era muito associada à promiscuidade. Como eu só transava com meu namorado, achava que estava completamente livre disso.
Folha- Quando você ficou sabendo que havia contraído o vírus?
Valéria- Dois anos depois, senti dor no estômago e fui a um médico. Ele viu que eu estava com sapinho no esôfago - doença típica de pacientes imunodeprimidos. Ele ficou desconfiado, pediu um exame e deu HIV positivo.
Folha- Você escondeu a notícia de amigos e conhecidos no começo?
Valéria- Aqui no Brasil, as pessoas ainda têm essa cultura de não contar. Durante seis anos, só quem soube foram meus pais e algumas pessoas mais chegadas. Resolvi contar para depois que fiz uma viagem para a Califórnia - o livro chama Depois Daquela Viagem por causa disso - passei seis meses morando em uma universidade e foi lá que aprendi a lidar com a Aids de maneira completamente diferente.
Folha- Quais são os seus projetos de vida?
Valéria- Por enquanto estou vivendo inteiramente para este livro. Quero aproveitar esse espaço que a sociedade está dando para a gente falar de Aids - que durante muito tempo foi tabu.
Folha- Como estão seus relacionamentos afetivos e sua vida sexual?
Valéria- Quando uma pessoa recebe a notícia de que está com Aids, é muito comum ela passar um tempo sem querer transar ou namorar. No meu caso foi ainda pior, já que eu era adolescente na época. Mas depois de participar de vários grupos de apoio e oficinas sobre sexo seguro e ver que dá para ter uma vida sexual normal, mesmo com Aids - é só se cuidar direitinho -, hoje eu tenho namorado e uma vida normal.
Folha- Que conselho você daria para quem contraiu o vírus e ainda está deprimido?
Valéria- Que procure ajuda de um psicólogo, de uma ONG (muitas oferecem tratamento gratuito) ou de grupos de apoio, onde a pessoa conversa com outras que tem Aids. É legal porque você vê que não é o único no mundo. É um envolvimento maior com a causa. Também aconselho que a pessoa faça o tratamento. Estou tomando o coquetel de medicamentos há um ano e meio e minha imunidade está ótima.





