Jovem tem perna amputada
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sexta-feira, 19 de setembro de 2008
Cláudia Palaci<br>Equipe da Folha 
Curitiba - ''Eu queria pegar uma carona no trem'', confessou Leonardo da Rocha à assistente social do hospital Angelina Caron, onde está internado após passar por uma cirurgia de amputação da perna esquerda inteira. O adolescente de 15 anos caiu na quinta-feira em uma linha férrea e foi atropelado por um trem da empresa América Latina Logística (ALL), no bairro Barreirinha.
A ALL, que administra a rede ferroviária no Paraná, disse que o rapaz deve ter subido nos últimos vagãos e saltado sem que o maquinista tenha visto. Segundo a empresa, há composições com mais de 80 vagões e a visão fica prejudicada. Oficialmente, a empresa divulga que neste ano foram registrados quatro atropelamentos (contando com o de Leonardo), contra oito em 2007.
A queda nos números são atribuídos à campanhas de prevenção realizadas pela ALL, segundo a responsável pelo Instituto de Segurança e Cultura, Carolina Goulart. ''Estamos conseguindo conscientizar as pessoas sobre os riscos de se andar na linhas ou cruzá-las sem a devida atenção'', comenta.
Entre os esforços, a empresa distribui material informativos nas passagens de nível, palestras em escolas próximas às linhas e reforço das sinalizações no decorrer no trajeto. ''Usamos uma linguagem bem direta e tratamos um assunto à beira do medo, com a intenção de chocar as pessoas quanto às consequências para vida que vai desde a a mutilação, como o caso do Leonardo, até a perda dela'', aponta Goulart.
Um projeto de Contorno Ferroviário está no papel desde 2002. O projeto prevê o desvio do tráfego de trens do ramal norte, que passa por 12 bairros e afeta 150 mil curitibanos moradores em locais próximos à linha férrea. Um impasse no licenciamento ambiental seria o empecilho à obra.


