Jovem sofre com falta de acessibilidade na UEL
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segunda-feira, 14 de setembro de 2015
Rafael Souza<br>Reportagem Local 
"Vim para cá porque era uma universidade considerada boa, famosa, agora estou frustrado, pois a estrutura é péssima." O desabafo é do estudante Daniel Martins, de 17 anos, que tem sofrido com a falta de acessibilidade da Universidade Estadual de Londrina (UEL). Há três semanas, o jovem, que sofre de atrofia espinhal, tem acesso restrito às aulas por conta de um problema técnico no elevador do Centro de Tecnologia e Urbanismo (CTU).
Daniel trocou Bela Vista do Paraíso por Londrina no início do ano depois de passar em primeiro lugar no vestibular para Engenharia Elétrica. Tudo ia bem até as primeiras dificuldades aparecerem. Neste período, ele já perdeu quatro aulas - duas de física e duas de desenho técnico - e o prejuízo só não foi maior porque a direção do curso optou por transferir e até cancelar algumas aulas que geralmente aconteciam no segundo ou terceiro andares para o térreo.
Antes de parar, o elevador já tinha dado indícios de que algo não ia bem, mas nada foi feito. "Teve um dia que tive aula no primeiro andar e na hora de ir embora o elevador parou. Fiquei das duas às quatro da tarde esperando e nada. Só consegui descer depois que um grupo de colegas se juntou e me ajudou a descer pelas escadas mesmo", contou.
O estudante reclama da falta de sensibilidade da direção. "Tem coisa que acontece mesmo, qualquer elevador pode ter um defeito e parar, mas deixar quebrado sabendo que tem alguém que precisa é muita falta de respeito. É um direito garantido por lei. Faz três semanas que não posso estudar normalmente, não posso perder aulas à toa", cobrou Daniel.
Segundo a prefeitura do campus, o equipamento quebrou depois de um temporal. O prefeito Dari de Oliveira Filho informou ontem que o orçamento para a troca das peças já está pronto e que a verba também já está liberada. "A empresa (fornecedora) nos garantiu que em um ou dois dias essas peças estariam aqui, então acreditamos que quarta (amanhã) elas já estejam aqui para que o conserto seja feito", explicou. A troca vai custar cerca de R$ 3,7 mil.
Além disso, o prefeito garantiu que um núcleo de acessibilidade realiza um levantamento que deverá apontar outras soluções de adequações para o campus universitário.
A mãe de Daniel, Rosângela Nascimento Martins, que acompanha o filho todos os dias nas aulas, pede uma solução rápida. "No dia em que viemos fazer o vestibular, já tivemos dificuldades. Cobrei e uma moça que estava na organização aquele dia me disse que iríamos desbravar a UEL e é o que está acontecendo. Já imaginava que seria difícil, mas nem tanto. É uma luta diária. Todos os dias a gente chega aqui (UEL) e não sabe o que pode encontrar", desabafou. "Quando foi para fazer a matrícula, pediram laudo médico, então é uma coisa que eles já deviam estar mais preparados, não é uma novidade."


