Mário CésarOrientaçãoMenores tiram dúvidas sobre sexo em oficina do Centro de Atendimento ao AdolescenteUma pesquisa do Centro de Referência de Atendimento ao Adolescente de Londrina (Craal) mostra que a maioria dos adolescentes tem sua primeira experiência sexual entre os 13 e os 14 anos de idade. Entre as meninas, apenas 35% dizem usar preservativo e 35% afirmam que não usam nenhum tipo de proteção. A maioria dos meninos optam pela interrupção da relação antes da ejaculação para evitar a gravidez da companheira.
Mesmo entre os que usam preservativo, a maioria deixa de fazer uso da camisinha quando a relação fica firme. ‘‘Quando acham que se conhecem o suficiente, eles param de usar o preservativo acreditando que se houver fidelidade entre eles não há risco. Não conseguem entender que o risco permanece em decorrência das relações passadas’’, afirma a coordenadora do Centro, Maria Lúcia Guerchmann. Para 50,3% dos adolescentes ouvidos, o risco de serem infectados pela AIDS é ‘‘pequeno’’.
Everton (18 anos) garante que a sua primeira transa, aos 15 anos, foi com camisinha. ‘‘Minha mãe sempre conversou muito comigo sobre as formas de me cuidar’’, diz. Ana (14 anos) ainda não tem certeza de que vai usar camisinha. Medo ela tem, mas acha que se conhecer direito o rapaz não precisa usar o preservativo.

Mário CésarRealidadeMaria Lúcia Guerchmann: ‘Quando os adolescentes acham que se conhecem o suficiente, param de usar preservativo acreditando que se houver fidelidade entre eles não há risco’Cristina (17 anos) não tem dúvidas e diz que antes de resolver ir até o final com um namorado vai cobrar o exame e se garantir usando camisinha. ‘‘Antes, para mim era tudo 10. Qualquer coisa servia. Mas agora que eu entendi como as coisas acontecem, sou mais eu. Quero me cuidar.’’ Os nomes dos menores são fictícios.
Eles participam da ‘‘Oficina de Sexo Seguro’’, programa do Craal, destinado a esclarecer as dúvidas dos adolescentes sobre sexo e suas implicações. Alguns estão no grupo incentivados pelos próprios pais, que viram no programa a possibilidade dos filhos estarem bem informados sem que se sintam constrangidos.
O Centro acompanha cerca de 600 adolescentes e presta atendimento a uma média de 300 jovens por mês, através de consultas e oficinas de trabalho. As oficinas são organizadas a partir da demanda dos próprios adolescentes.
(Célia Baroni)

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