Jovem quer ser indenizado por acidente
Osmani Costa
De Londrina
Em novembro de 1997, o vendedor Janio Soares Costa tinha 21 anos de idade, 1,88 metro de altura e pesava 96 quilos. Ela havia começado a trabalhar recentemente em uma fábrica de confecções, recebia R$ 400,00 mensais e acabara de comprar seu primeiro automóvel, um Fusca. Numa tarde de sábado, ele foi com a namorada Rosália e o irmão dela, Diego, lavar o carro na barragem do Lago Igapó (área central de Londrina), como faziam muitos londrinenses.
Enquanto esperavam o Fusca secar, Janio e Diego resolveram nadar na margem esquerda do Igapó, onde há um trapiche para entrada e saída de barcos e jet-skis. Próximo ao local havia uma placa da Autarquia Municipal do Ambiente (AMA), onde se lia: Água boa para banho. O jovem vendedor saltou do trapiche, bateu a cabeça no fundo do lago e ficou tetraplégico, perdendo completamente os movimentos dos membros inferiores e parcialmente os dos membros superiores.
Recentemente, o advogado Marcelo Leal deu entrada no Fórum com uma ação civil contra o município que considera responsável pelo acidente sofrido por Janio , exigindo indenização de R$ 141 mil por perdas materiais e mais mil salários mínimos (R$ 136 mil) por danos morais. O município, através da AMA, foi o responsável pelo acidente tanto por ação como por omissão. Por ação, porque a placa fez o Janio acreditar que ali tratava-se de local seguro e próprio para banhistas. E por omissão, porque não tomou as devidas providências para alertar os usuários da área pública para o perigo, para evitar os possíveis acidentes que já haviam ocorrido e continuam ocorrendo naquele ponto do Igapó.
Segundo o advogado, a ação tem ainda o objetivo de denunciar os riscos que os banhistas estão correndo ao usarem o lago, principal ponto de lazer público da cidade. A sinalização das placas induz ao erro, ao risco de acidente grave. É preciso que os pais e jovens fiquem alerta para este perigo, para que outras tragédias como a do Janio sejam evitadas, ressaltou.
A ação tramita no Fórum, mas a data da primeira audiência, de tentativa de conciliação entre as partes, ainda não foi marcada. Mesmo sem ter sido citado pela Justiça e sem conhecer detalhes da ação indenizatória, o procurador-geral do município, Eduardo Duarte Ferreira, disse na tarde de ontem que a prefeitura não tem responsabilidade sobre o acidente sofrido por Janio Costa e não pretende fazer qualquer tipo de acordo. O acidente aconteceu por responsabilidade do jovem, que pulou no lago por livre e espontânea vontade. Em caso de sentença desfavorável, o município recorrerá em todas as instâncias cabíveis, afirmou o procurador.
Aposentado por invalidez pelo INSS, com o salário de R$ 377,00 mensais, Janio começou a recuperar há cerca de três meses os movimentos dos braços, ombros e pescoço, depois de mais de um ano de fisioterapia. O problema é que não consigo vaga pelo SUS (Sistema Único de Saúde) para fazer mais fisioterapia, que custa R$ 25,00 a hora. Só posso pagar duas por semana, quando o ideal seria uma hora por dia, comentou o vendedor, que depois do acidente ficou internado em hospital 72 dias. Em casa, fiquei mais oito meses sem sair da cama. Do pescoço para baixa, não sentia e nem mexia nada. Graças a Deus, a um milagre, hoje estou bem melhor.Vendedor que ficou tetraplégico após um mergulho no Lago Igapó entra na Justiça contra o município de Londrina
Mário CesarMário CesarMERGULHO PERIGOSOJanio Costa (acima) conseguiu recuperar os movimentos dos braços, ombros e pescoço, mas precisa de mais fisioterapia. No verão, Igapó é um dos locais de lazer mais procurados, principalmente pelas crianças e jovens





