Jovem que sobreviveu à raiva humana tem alta
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sexta-feira, 18 de setembro de 2009
Agência Estado 
Recife - É o primeiro caso de cura da doença no Brasil e o terceiro no mundo. Onze meses depois de ter contraído raiva humana, o jovem Marciano Menezes da Silva, de 16 anos, recebeu alta ontem do Hospital Universitário Osvaldo Cruz (HUOC), no Recife. Silva havia sido mordido no tornozelo por um morcego, em Floresta, no sertão pernambucano, enquanto dormia. Ele passou quatro meses na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e outros sete meses no isolamento. É o primeiro caso de cura da raiva humana registrado no Brasil e o terceiro no mundo.
O jovem está com limitações motoras - não anda, tem dificuldade na fala - mas tem a consciência preservada.
Em entrevista, ao deixar o hospital, ele disse estar com saudade do irmão e do cachorro e que queria comer macarronada com carne de bode ao chegar em casa. Floresta fica a 433 quilômetros da capital. Ele retorna ao hospital em três semanas, para avaliação e acompanhamento de fisioterapia.
O tratamento de Silva, que incluiu antivirais, analgésicos e sedativos, assim como indução ao coma, foi adaptado do Protocolo de Milwaukee, de autoria do médico Rodney Willoughby, de Atlanta, Estados Unidos, responsável pela cura de uma jovem norte-americana em 2004. Ela é o único caso do mundo de cura e ausência de sequelas.
De família pobre, Silva deu entrada no hospital no dia 10 de outubro do ano passado, quando já apresentava os primeiros sintomas da doença - salivação excessiva e agitação. Até então, quem contraía raiva humana era sedado e esperava o óbito, que ocorria, em média, em dez dias.


