Curitiba Ágatha Cristiane Précoma, 21 anos, acusada de ter assassinado a mãe e a avó junto com a namorada Vanessa Quinteiro Naves, 23 anos, foi condenada a 29 anos de prisão por homicídio qualificado. O julgamento durou quase 12 horas. O Ministério Público, que havia arrolado dez testemunhas, acabou dispensando os depoimentos. O advogado Osmann de Oliveira recorreu em plenário contra a condenação. Segundo ele, houve várias impropriedades no julgamento, como falta de intimação do advogado e testemunhas, documentos juntados fora de ordem e dispensa de testemunhas.
Como os advogados de defesa das duas acusadas divergiram sobre a aceitação do corpo de jurados sorteado, o julgamento foi desmembrado. Vanessa só deverá ir a júri em fevereiro do ano que vem. A juíza Ilda Eloísa Corrêa de Moricz, titular da Vara da Família, explica que foi designada somente para este caso, porque não havia juiz titular na 1 Vara Criminal. Como em janeiro só haverá um juiz substituto para atuar em casos urgentes da região, é provável que o julgamento fique para fevereiro.
O julgamento de Ágatha e Vanessa tinha sido adiado oito vezes. Ágatha foi condenada a 14 anos de prisão pela morte da mãe Elizabeth Maria das Graças Vilibruno, 41 anos, e a mais 15 anos pelo assassinato da avó, Genoeva Précoma, 80 anos. Ela já cumpre pena desde 1998, mas como se trata de crime hediondo, segundo a juíza, a concessão de benefícios, como liberdade condicional depois do cumprimento de um terço da pena, terá que ser decidida pelo Tribunal de Justiça.
O duplo homicídio ocorreu em maio de 1998. Elas chegaram a confessar o crime, alegando ter assassinado Elizabeth e Genoeva por asfixia porque elas não concordavam com o relacionamento homossexual entre as jovens. Mas depois acabaram negando tudo.
De acordo com Osmann de Oliveira, elas foram induzidas a confessar o crime a um repórter de um programa de televisão apresentado por um político. Depois, teriam sido levadas à delegacia pelo repórter, que se fazia passar por advogado, e o delegado também teria induzido-as a confessar. O repórter teria recomendado que elas se beijassem na boca diante das câmeras. Segundo Oliveira, elas teriam se retratado ainda na polícia, mas acabaram sendo liberadas e presas novamente em seguida. Outro argumento da defesa foi que os laudos de necropsia indicaram como as vítimas morreram, mas não quem as teria matado. ''A polícia não teve o cuidado de fazer exames datiloscópicos nas vestes dos cadáveres'', ressalta.

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