‘‘Quero viver, mas tem uma droga em minha vida. Procuro um internamento, mas não posso pagar. Me ajude’’.
O apelo que A.P.F., 20 anos, de Londrina, queria publicar esta semana na Folha, foi a forma encontrada para tentar se livrar das drogas. Viciado em crack há cerca de dois anos, o rapaz diz que está decidido a se recuperar, mas sabe que somente boa vontade não resolve. ‘‘Preciso me internar’’, afirma, com convicção.
Morador da zona oeste de Londrina, A.P.F. fuma maconha desde os 12 anos. A primeira vez que experimentou crack, numa roda de amigos, estava com 18. ‘‘Um amigo estava com uma lata (usada para fumar crack), ofereceu e eu aceitei’’, conta. ‘‘Foi bom, eu gostei’’, revela.
Segundo o rapaz, ao experimentar o crack, deixou a maconha de lado. ‘‘Troquei por uma droga mais forte’’, observa. No início, o consumo de crack acontecia somente aos finais de semanas, depois foi se intensificando. O papelote, ao preço de R$ 5,00 era adquirido com facilidade, afirma. ‘‘É como comprar pão na padaria’’, compara.
A.P.F. conta que chegou a consumir drogas até mesmo durante o horário de trabalho. ‘‘Sempre fiz escondido, nunca me chamaram a atenção por causa disso’’, afirma. Atualmente, ele está desempregado e revela que gastou parte do dinheiro da rescisão de contrato com drogas - mais de R$ 700,00 em menos de duas semanas. ‘‘A gente usa o primeiro papelote e não quer mais parar. Enquanto tem dinheiro, vai consumindo’’, afirma.
À procura de crack, o rapaz foi várias vezes a favelas, passou por uma batida policial e foi roubado pelos próprios traficantes. ‘‘Eles encostaram o revólver em mim, pegaram o meu dinheiro e falaram para eu ir embora’’, relata.
Alto e muito magro, A.P.F. conta que emagreceu cerca de 20 quilos por causa da droga - ‘‘a droga substitui a comida’’, diz - e perdeu muitos amigos. ‘‘Eles se afastaram, ninguém gosta de ficar perto de viciados’’, constata.
A gota d’água, afirma A.P.F., para decidir parar com o vício, foi há alguns dias, quando estava sem dinheiro para comprar mais drogas. ‘‘Vi a bolsa da minha mãe na sala e roubei R$ 15,00’’, conta. À noite, quando voltou para casa, encontrou a mãe chorando. ‘‘Não aguentei, comecei a chorar também e decidi procurar ajuda’’, relata.
A.P.F. afirma estar disposto a se internar em uma clínica para recuperação de drogados, mas diz não ter dinheiro. ‘‘Não sei quanto tempo tenho que ficar internado, mas tenho boa vontade e quero largar as drogas. E não me importo se a internação for fora de Londrina’’, conta. O rapaz informa que está há quatro dias sem consumir crack, mas confessa que se tivesse dinheiro, gastaria com drogas.

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