Jovem morre em perseguição policial
Uma perseguição policial anteontem à noite na PR 090, entre Sertanópolis e Ibiporã (no Norte do Paraná), resultou na morte do estudante Waldemar de Carvalho Filho, 19 anos. Ele pilotava a motoneta jog, placa AHC 2687, quando teria colidido com a Ipanema, placa AHS 7091, conduzida pelo soldado Pedro Serapião, 46 anos, do 1º Pelotão da Polícia Militar de Ibiporã.
Segundo a polícia, o estudante era acusado de um roubo em Sertanópolis e saiu em fuga para Ibiporã, onde residia, quando foi perseguido pelos policiais. A polícia teria tentado parar a motoneta por duas vezes sem sucesso. Numa das várias lombadas da estrada, de acordo com a versão da polícia, o veículo havia diminuído a velocidade quando o estudante bateu na traseira da viatura, morrendo instantaneamente. Uma outra viatura da que também participava da perseguição não teria se envolvido no acidente.
A versão da polícia, entretanto, é contestada por amigos de Waldemar que estavam com ele em uma lanchonete em Sertanópolis. Segundo um dos jovens que preferiu não se identificar, a confusão foi provocada por um morador de Sertanópolis que acusou um dos jovens de Ibiporã de ter furtado o CD de seu carro.
O furto, segundo o rapaz, não havia acontecido mas provocou um desconforto. A polícia foi chamada algum tempo depois pelo rapaz que teria tido o CD furtado. Waldemar fugiu porque a motoneta que pilotava, que pertencia a outro amigo, estava sem o farol. Ele foi derrubado duas vezes pela polícia durante a perseguição, ainda na cidade.
O jovem que fez a denúncia disse que várias viaturas de Ibiporã e Sertanópolis participavam da perseguição. Quando chegou na ponte do Rio Jacutinga, outros dois policiais em motonetas dispararam dois tiros, que o obrigaram a parar. Um dos policiais o reconheceu e pediu que seguisse viagem pois não era ele que procuravam. Ao chegar na cidade, foi informado por este policial que Waldemar havia morrido.
Willian da Silva Filho, tio de Waldemar, denunciou que a polícia havia destratado parentes da vítima que foram ao local acompanhar o trabalho da perícia, além de esconder o veículo envolvido no acidente. Waldemar, segundo o tio, embarcaria esta semana para Portugal, em busca de trabalho.
A Folha tentou falar com o 5º Batalhão da PM de Londrina, a quem está subordinado a corporação de Ibiporã, mas ninguém retornou as ligações. O telefone celular do major Manoel Cruz Neto, que responde interinamente pelo 5º BPM, estava desligado.





