Londrina

Marcos BorgesTragédia anunciadaCleuza Maia, mãe de Vanessa, com a foto da filha: tristezaUm racha entre dois carros na BR-369 (avenida Tiradentes), na zona oeste de Londrina, provocou a morte da estudante Vanessa Maia, 18 anos. Ela voltava do Rodeio Universitário, no Parque Ney Braga, e esperava para atravessar a avenida, depois de ter descido do ônibus. O atropelamento foi à 1h20 de ontem, nas proximidades do Moinho de Trigo Dona Benta. Os responsáveis pelo acidente não foram identificados, mas testemunhas afirmam que eram um Escort XR3 azul marinho e um Gol prata.
O irmão da estudante, Charles Fabrício Gonçalves Maia, 12, que estava com ela, conta que Vanessa resolveu esperar enquanto ele e uma amiga atravessaram a pista correndo. ‘‘Ela resolveu voltar e ficou parada bem pertinho da calçada. Eles estavam apostando corrida e o Gol virou por cima dela’’, diz Charles. ‘‘Não deu tempo de ver nada. Só de sair correndo.’’
Segundo Charles, os três iam para a casa dele, no jardim Leonor, e desceram dois pontos antes. ‘‘O ônibus estava lotado e achamos que já era nosso ponto’’, diz.
Charles afirma ainda que o Gol, que seguia na frente, quis fazer uma ‘‘gracinha’’ e jogou o carro para o lado de Vanessa, para assustá-la. Foi aí que ele teria perdido o controle do carro. Charles afirma que a irmã foi jogada para cima do capô do carro e depois arremessada para o canteiro central. ‘‘O Escort quase passou por cima dela de novo.’’
Outro irmão da vítima, Clayton Henrique, afirma que um amigo, que estava na mesma festa, disse ter visto os dois carros saindo do Rodeio Universitário. ‘‘Ele me falou que os carros começaram a acelerar bem no sinaleiro (em frente à Companhia Cacique de Café Solúvel)’’, diz Clayton. No Gol, segundo Clayton, estavam duas moças e um rapaz e, no Escort, cinco pessoas. ‘‘Eles nem frearam; nem marca de pneu tem no lugar’’, diz Clayton.
Vanessa, que aguardava o resultado do vestibular na Universidade Estadual de Londrina para Psicologia, morreu na hora. A pedido dela, a família doou todos os órgãos. Mas, devido à violência da batida, só as córneas puderam ser aproveitadas. ‘‘Se fosse reagir hoje (ontem) poderia até fazer uma loucura’’, disse o pai, Antonio Gonçalves Maia. O enterro vai ser hoje às 8 horas, no cemitério Jardim da Saudade, zona norte.
Moradores de bairros próximos ao local do atropelamento acreditam que a tragédia teria sido evitada se eles tivessem sido atendidos pelo poder público. Há um mês eles fizeram um manifesto pedindo a instalação de quebra-molas entre o sinaleiro e o Posto Corujão. Mas, em vez disso, foram colocados sonorizadores na pista. ‘‘Vamos ver agora se isso se resolve’’, revolta-se a presidente da Associação de Moradores do Jardim Leonor, Maria Inês Ribeiro.
A alta velocidade dos veículos no trecho e a imprudência dos motoristas já fizeram muitas vítimas. Vanessa é a quarta vítima fatal em menos de dois anos. Todas elas aguardavam para atravessar a avenida.

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