Rio - O lama Michel Rinpoche (nome que o paulistano Michel Lenz Cesar Calmanowitz que passou a usar desde 1993) desembarcou anteontem no Rio e parte amanhã para São Paulo, onde permanecerá até quarta-feira. Depois, volta para a Índia, passando antes pelo continente europeu. Ele é um tulku, ou seja, é reconhecido como a reencarnação de um mestre tibetano (Drubtchok Gualwa Samdrup, que viveu no século 15).
Michel é considerado como pertencente a uma altíssima linhagem e está sendo preparado para substituir seu mestre, o lama Gangchen Rinpoche, como líder de uma das três grandes vertentes budistas existentes no mundo.
Em 1993, aos 12 anos de idade, Michel trocou o apartamento da mãe em Perdizes, bairro da zona oeste da capital, pela vida de monge tibetano na Universidade de Sera Me, na Índia, onde estuda Filosofia Budista. Na sexta-feira, agora aos 20 anos, o único brasileiro a ter alcançado a condição de lama durante a infância visitou a Fundação São Martinho, na Lapa, centro do Rio, que assiste crianças e adolescentes de rua. Lá, falou sobre paz, amor e felicidade.
Cantou mantras, recebeu presentes e depois de uma hora e meia de conversa pediu para abraçar todas as pessoas presentes. ‘‘Hoje em dia, vivemos uma situação que não é fácil. Com os ensinamentos que sigo, aprendo a ter uma vida melhor a cada dia. Isso não depende de coisas materiais, mas do que existe dentro de nós’’, disse. Michel fez 36 votos, entre eles o de não consumir bebidas alcoólicas, não fazer sexo e não ver televisão.
O primeiro contato do lama Michel com seu mestre aconteceu em 1987, quando o lama Gangchen esteve no Brasil. A mãe conta que desde então o garoto passava horas ouvindo os ensinamentos do mestre e participando de sessões de meditação. A isso, seguiram-se viagens à Índia, ao Nepal, à Indonésia e ao Tibete. ‘‘Desde que encontramos o lama, Michel mostrou uma ligação afetiva e um interesse muito grande. Sentimos que aquilo era próprio dele’’, diz Isabel.
Durante uma viagem à Índia, Michel sofreu um desmaio em um local sagrado. Depois, conta Isabel, descreveu o lugar de uma maneira diferente. Anos mais tarde, no mesmo local, a mãe encontrou pesquisadores e ficou surpresa ao saber que séculos atrás era exatamente da forma como Michel havia descrito.
Em seus dois primeiros anos na Índia, Michel teve a companhia do pai. A transformação vivida pela família foi tão grande que hoje, apesar de separados, os pais trabalham juntos numa instituição budista que fundaram em São Paulo. Ambos, ele um judeu e ela uma presbiteriana, adotaram o budismo como filosofia de vida.

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