Jovem infrator é tema de debate
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quarta-feira, 27 de fevereiro de 2002
Telma Elorza Reportagem Local 
Em Londrina, pelo menos 80% dos adolescentes são usuários de drogas. O número é alarmante e mostra que estamos perdendo a luta contra o tráfico de drogas. A afirmação é da promotora da Vara da Infância e Juventude de Londrina, Edina Maria de Paula, feita ontem durante a reunião quinzenal do Fórum Permanente de Segurança. A questão do atendimento à criança e ao adolescente em situação de risco foram o tema do painel de debate na abertura dos trabalhos. Além da promotora, a secretária de Ação Social, Maria Luiza Rizotti, também participou, mostrando as soluções que o município tem apresentado para diminuir a criminalidade entre os jovens.
Segundo a promotora, o problema maior na cidade é a falta de alternativas para o encaminhamento de jovens drogados e menores infratores. O Estatuto da Criança e do Adolescente prevê e especifica tudo o que deve ser feito, pela família e autoridades. Mas se o Estado não dá condições físicas e estruturais para isso, não há como a lei ser cumprida, afirmou.
Segundo a promotora, a cidade necessita de espaços para o acompanhamento dos menores quando o juiz determina o tipo de reabilitação que deve ser feito. O Centro Integrado de Atendimento ao Adolescente Infrator (Ciaadi) é, segundo ela, outro ponto preocupante. O Ciaadi vive hoje uma situação de panela de pressão e vai explodir a qualquer momento. A cada dia que passa a agressividade é maior. Eu, advogados e até o pessoal que trabalha ali estão arriscados a levar um tiro a qualquer momento, afirmou
Edina lembrou também a falta de casas-abrigo para meninos e meninas em situação de risco porque a prefeitura apesar de ter o dinheiro liberado para isso não conseguiu comprar uma casa por pressão de vizinhos. Para recuperar essas crianças, é preciso mudar também a perspectiva. Não apenas enxergá-los como bandidos, mas como vítimas do sistema e temos que lutar para dar condições de vida digna a eles, disse.
A secretária de Ação Social disse que não faltam vagas em abrigos para crianças e adolescentes mas que eles, na sua maioria mantido por entidades, não recebem menores infratores ou drogados. No caso de drogadição, a cidade oferece 237 vagas, todas em entidades não governamentais, a maioria de cunho religioso. O problema é que a metodologia aplicada nestes locais não é compatível com a realidade da criança, disse. Segundo ela, ainda este ano deve ser construído uma Unidade de Internamento para menores infratores. A licitação já está pronta e já temos o dinheiro, cerca de R$ 1,6 milhão, liberado, disse.


