A Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos, em Curitiba, foi obrigada por medida judicial a contratar ontem Ana Paula Mateus Felinto, 22 anos, que passou no concurso público em março de 1996, mas foi reprovada em um exame de saúde por causa da obesidade e supostos problemas visuais. Ela entrou na Justiça, acusando o Correio de discriminação e ganhou liminar do Tribunal Regional Federal, com sede em Porto Alegre (RS), para que fosse admitida.
Mas o caso está longe de ter um fim. O mérito da questão ainda não foi julgado e não há previsão de quando isso vai ocorrer. Ana Paula pode ser demitida se a Justiça entender que a postura do médico da agência está correta. O advogado Dirceu Casagrande, que defende Ana, não acredita nessa possibilidade. Ele junta exames para comprovar que sua cliente tem condições de exercer a função. O advogado também entrou com um pedido de indenização. ‘‘Ela foi humilhada e constrangida. Acima de tudo foi discriminada como pessoa da sociedade civil.’’
Às 15 horas de ontem, acompanhada de Casagrande, do pai e de uma irmã, Ana Paula entrou na agência da Rua XV de Novembro, centro da capital, para entregar os documentos para a admissão. Antes de entrar na sala onde entregaria os papéis, Ana chorou copiosamente e foi consolada pelo pai, o técnico operacional da Sanepar Paulo Felinto, 43 anos. ‘‘Você é forte’’, disse ele.
Com 23 quilos acima do peso normal, Ana afirmou que não se sente incapacitada de fazer o trabalho de atendente comercial, para o qual passou no concurso. ‘‘Estou muito feliz’’, repetia. Emocionados, pai e filha elogiaram a postura da Justiça e se dizeram justiçados. ‘‘É a vitória da cidadania’’, disse Felinto.
Ana lamentou que tenha de ter apelado à lei para garantir seu direito. ‘‘Agora quero fazer meu trabalho. Espero que não haja nenhum problema’’, afirmou. Ela acredita que muitas pessoas sofrem discriminação semelhante, mas não lutam por seus direitos. Por isso, o caso seria um exemplo para o País.
O gerente de Recursos Humanos do Correio, Mário Vicente Ferreira Filho, disse que Ana começa a trabalhar na quarta-feira, após o feriado prolongado. Ferreira afirmou que a empresa recorreu das decisões anteriores da Justiça porque Ana havia se recusado a fazer novos exames, com uma junta médica indicada pela agência. O gerente disse que o Correio apenas ‘‘seguia as orientações dadas pelo médico que realizou o exame admissional.’’Albari RosaAna Paula Mateus Felinto sorri ao mostrar a carteira de trabalhoJames Alberti

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