A música como meio de prevenção. Esta foi a receita encontrada por Reinaldo Fernandes da Cruz, 25 anos, que está participando até amanhã de um encontro internacional em Brasília para discutir a prevenção de Doenças Sexualmente Transmissíveis (DST) e Aids entre encarcerados. Cruz foi convidado por ter conhecido de perto a realidade dos presídios e não ter se acomodado: enquanto esteve detido na Penitenciária Estadual de Londrina (PEL), por tráfico de drogas, trabalhou como monitor de saúde e fez uma música alertando para a importância da prevenção.
O ''Rap da Prevenção'', como foi batizada a composição, usa frases como ''A gente tem que se prevenir / Cada irmão tem que saber como se divertir / Se for sair, zoar, com uma mina ao lado / De repente rola e você está despreparado / Então não deixe o preservativo para depois, porque um homem prevenido vale por dois.'' Durante o encontro, Cruz, que saiu da cadeia em agosto do ano passado, vai mostrar sua música utilizando fundo instrumental gravado em CD.
O trabalho iniciado logo depois de deixar a prisão também deverá ser relatado. ''Comecei a dar oficinas de hip hop no quintal de casa para garotos aqui da zona norte, até que o pessoal da Secretaria (Municipal) da Cultura me convidou para ser monitor de uma das oficinas da Rede da Cidadania.'' Hoje, além das oficinas, Cruz faz apresentações com o grupo Stillo de Rua, que já tem mais de 35 composições e participação no CD ''RAP Revolucionários Alertando o Perigo Prevenção'', gravado em 2002, sob coordenação de Amauri Pereira, diretor do Centro de Atendimento Integrado à Criança (Caic) da Zona Sul.
Em suas apresentações, o grupo tem sempre na ponta da língua a mensagem que norteia seu trabalho: ''O crime não compensa, existem outras opções de vida para estes garotos da periferia. Mostramos a eles que é melhor ser conhecido por fazer um som legal do que por andar armado.''
Além de relatar sua experiência, a viagem para a capital federal significa para Cruz a esperança de conseguir apoio para a gravação de um CD. ''Sei que o Ministério da Saúde já patrocinou alguns grupos de Brasília, quem sabe a gente também não consegue''. Os argumentos para continuar buscando este sonho são inquestionáveis: ''A música me devolveu a auto-estima e me tirou do vício. Para mim e para muita gente o rap tem sido a salvação.''

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