Doente e viciada em drogas, a jovem F.B.S.C., de 24 anos, foi presa por ter interrompido o tratamento de tuberculose no Hospital Universitário (HU) de Londrina. A Polícia Civil justifica a medida como sendo a única maneira de garantir que ela consiga continuar se tratando. Ela voltou para uma ala específica do HU, onde está sob escolta policial permanente. A prisão ocorreu no 13 de maio, mas só se tornou público ontem.
Segundo o delegado-adjunto da 10 Subdivisão Policial (SDP), Jorge Barbosa, alguns dias antes de F. ser presa, familiares estiveram na delegacia à sua procura. Ela teria sumido do hospital e não dava notícias há vários dias. Logo depois da queixa, a jovem foi localizada em um bairro da Zona Leste e autuada pelo delegado do 2º Distrito Policial, Antônio do Carmo. O flagrante foi feito com base nos artigos 131 e 132 do Código Penal, que tipificam como crime, respectivamente, o perigo de contágio de doença infecto-contagiosa grave a terceiros e colocar em risco a saúde e vida de outros. As penas variam de um a quatro anos de prisão.
Ela foi reconduzida ao Hospital Universitário, onde está sendo vigiada diariamente por policiais. ''Essa foi a única maneira de mantê-la em tratamento'', lamentou Barbosa. Segundo o delegado, ela é viciada em drogas e não cumpria as determinações médicas. Ele informou ainda que a Justiça pode determinar que ela seja encaminhada para o Hospital Prisional, em Curitiba, para continuar se tratando.
No HU, a assessoria de imprensa informou que a paciente permanece isolada no Setor de Moléstias Infecciosas, onde recebe medicação para tuberculose positiva. Nesta fase da doença, as bactérias são transmitidas por via oral, através das gotículas de saliva. Como o tratamento da doença é demorado, periodicamente ela é submetida a novos exames para detectar se permanece a fase de transmissão.
A diretora de Epidemiologia da Secretaria Municipal de Saúde, Josemari de Arruda Campos, explicou que um dos estágios mais perigosos da doença é quando o portador da bactéria causadora da tuberculose apresenta tosse com eliminação de secreção contaminada. Nessa fase, o contágio pode se dar mais facilmente atráves da contaminação do ambiente e de objetos como talheres e copos. A doença pode ganhar contornos mais graves também em portadores do vírus HIV que já apresentam um quadro de imunodeficiência e usuários de álcool e outras drogas.
Josemari destacou ainda que os riscos aumentam quando o tratamento é interrompido. Isso porque a bactéria torna-se mais resistente ao medicamento que estava sendo usado e é preciso lançar mãos de drogas mais potentes e que apresentam mais efeitos colaterais. (Colaborou Silvana Leão)

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