Dimitri do Valle
De Curitiba
O delegado da Polícia Civil em Campo Largo, Osmar Antônio Dechiche, instaurou inquérito para apurar o assassinato do estudante Alessandro Rettmann, de 16 anos. O adolescente foi baleado pelas costas na madrugada de sábado quando retornava para casa do baile de fomatura da escola. Ele foi morto a três quadras de casa, no centro do município, localizado na Região Metropolitana de Curitiba. O principal suspeito é o comissário do Juizado de Menores do Fórum da cidade, Joel Teixeira, 34 anos, que nega a autoria do crime.
O pivô da tragédia, que abalou a população de Campo Largo, seria uma faixa publicitária colocada em frente a uma loja de tintas. Alessandro e o colega J. F., 16 anos, regressavam para casa após o baile. Os dois decidiram comer cachorros quentes antes de ir dormir. Na rua Benetido Soares Pinto, nas proximidades da agência dos Correios, Alessandro teve a curiosidade de tocar a faixa. Segundos depois, o estudante recebia um tiro nas costas. A vítima tentou fugir junto com o amigo, mas caiu inconsciente cerca de 50 metros depois.
Para o mecânico industrial Abelo Rettmann, 46 anos, não restam dúvidas. Joel Teixeira foi o responsável pela morte do filho. Segundo o pai de Alessandro, Teixeira teria cruzado com os dois garotos no momento em que eles caminhavam em frente a loja de tintas. ‘‘Quando o Alessandro passou a mão na faixa o cara (Teixeira) gritou: oh! oh!’’, contou Rettmann. Os dois adolescentes continuaram andando. J. F. olhou para trás e viu o homem que havia passado por eles os observava de uma esquina. Logo depois Alessandro era baleado.
Em estado de choque, o estudante J. F. ainda ouviu do amigo que estava morrendo e precisava de ajuda. Ainda assustado, ele conta que saiu correndo, se escondeu num matagal, para depois chamar o pai pelo telefone. O garoto se apresentou hoje na delegacia acompanhado dos pais, foi ouvido pelo delegado Osmar Antônio Dechiche e ainda não tem condições emocionais de fazer o reconhecimento de Teixeira.
O comissário de menores negou ter atirado em direção aos garotos. Logo após a morte de Alessandro, Teixeira se apresentou a dois policiais militares que o conduziram à delegacia. Ele não informou ao delegado o que fazia na rua durante a madrugada.
O comissário alegou ter ouvido disparos de revólver e resolveu averiguar dando dois tiros para o alto. J. F. disse ter ouvido três disparos. A arma de Teixeira, um revólver calibre 38, foi apreendida com duas cápsulas deflagradas e quatro intactas. Ele tinha registro, mas não possuía o documento de porte para carregar o revólver. O suspeito não ficou preso, segundo o delegado Osmar Dechiche, porque não havia testemunhas que o ligassem a morte do estudante. Ele foi autuado por porte ilegal de arma, pagou uma fiança de R$ 136,00 e saiu da cadeia.
A polícia aguarda o resultado do exame de balística para saber se o projétil retirado do corpo do estudante é o mesmo disparado da arma de Teixeira. A arma foi enviada ontem ao Instituto de Criminalística, em Curitiba. O resultado deverá ser conhecido até o final deste semana. O corpo de Alessandro foi sepultado na tarde de domingo no cemitério municipal de Campo Largo.

mockup