Depois de 11 meses cumprindo pena por furto na Penitenciária Estadual de Londrina (PEL), Alex Enderson de Souza, de 24 anos, pensou que finalmente retomaria a vida deixada para fora da carceragem ao ser libertado no dia 19 de março. Conseguiu um emprego de pintor, marcou o casamento e avisou o filho de quatro anos das mudanças. Na Vara de Execuções Penais (VEP), ontem à tarde, a surpresa: ele foi solto por engano. Cadeia de novo.
O jovem foi encaminhado ao 2º Distrito Policial (DP), na Zona Leste, depois de ser comunicado na VEP que respondia ainda a penas de tráfico de drogas que teria sido cometido na própria PEL e furto, como havia confirmado anteriormente o delegado Antonio do Carmo. ''Ele havia ido à VEP assinar uma pena de multa quando foi notificado e recapturado'', disse o delegado.
Na carceragem, o jovem estava indignado. Com carteira assinada em mãos, ele lamentou a oportunidade perdida, apesar de admitir que sabia das duas penas. ''Achei que responderia em liberdade, tanto que comparecia à VEP para assumir meus compromissos'', lembrou. Mas o pior, avaliou, foi a perda do emprego no qual estava ainda no período de experiência.
''Hoje em dia é tão difícil ex-presidiário arrumar emprego, e, quando arruma, é isso que acontece'', declarou. O casamento marcado para o dia 11 de setembro, acrescentou, também não deve sair do papel.
O juiz corregedor da VEP, Roberto do Valle, admitiu a falha ao ter assinado a soltura, mas atribuiu parte do incidente à Polícia Civil. ''Tudo bem que não verificamos toda a situação do rapaz, que só poderia responder em liberdade se não tivesse sido autuado em flagrante. E ele foi, mas a Civil, apesar de termos solicitado várias vezes, não nos informou isso.'' O delegado-chefe da 10 Subdivisão Policial (SDP), Jurandir Gonçalves André, adiantou que vai apurar o ocorrido. ''Se essa reclamação se confirmar, tomaremos as providências necessárias'', resumiu.

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