Dorico da SilvaA vítimaO auxiliar de cozinheiro Elizeu de Jesus: ‘Escapei por milagre’ A Polícia Civil prendeu ontem pela manhã dois dos quadrilheiros que vinham apavorando os moradores da vila Santa Terezinha (zona leste), depois de tentarem matar o auxiliar de cozinheiro Elizeu de Jesus Belvão, 17 anos. Foram presos e autuados em flagrante Osmar Emerson das Dores, 20 anos, e Claudinei Scalante Ferreira, o ‘Guigui’, 19 anos.
Cesar Augusto Bortoletti, 18 anos, conhecido por ‘Zoinho’, está foragido. Foi ele quem deu as duas punhaladas nas axilas de Elizeu, que por pouco não foi atingido no pulmão esquerdo. Na confusão, o auxiliar de cozinheiro reagiu e conseguiu correr até o portão de sua casa, onde caiu sangrando.
O pai da vítima, Pedro de Jesus Belvão, contou ter ouvido um barulho estranho na frente da casa, além de gemidos, e foi ver o que acontecia. ‘‘Fiquei desesperado ao ver meu filho naquele estado.’’ Com ajuda de um vizinho, Belvão levou Elizeu de carro para o Hospital Universitário, onde a vítima foi medicada. ‘‘Lá disseram que meu filho não morreu por pura sorte. Faltou menos de um centímetro para os golpes atingirem o pulmão.’’
Dorico da SilvaO preso Claudinei Ferreira, o ‘Guigui’: emboscada durante a madrugada
O pai mostrava-se revoltado com a agressão ao filho e disse que, mesmo correndo o risco de ser morto, resolveu ir à polícia prestar queixa. Ele disse que, antes de tomar a iniciativa, precisou contrariar vizinhos e amigos, que tentaram dissuadi-lo da idéia. ‘‘Os moradores do bairro (Santa Terezinha) vivem aterrorizados com esses marginais. O pessoal tem medo das ameaças. Eles prometem até matar quem chamar a polícia.’’ Pedro Belvão alertou que, se a polícia não mantiver na cadeia Zoinho, Guigui e Osmar, eles poderão cumprir a promessa de matá-lo. ‘‘Eu não vou deixar que me matem ou façam mal à minha família. Esta confusão pode virar uma grande tragédia.’’
Pedro Belvão revelou que se sentia um pouco culpado, pelo fato de que o filho menor trabalha até a madrugada. ‘‘Quem sabe se eu tivesse condições financeiras de manter a casa sozinho, e meu filho só estudasse, nada disso aconteceria.’’
Elizeu de Jesus trabalha no restaurante Vila Fontana e, após a meia-noite, retorna de ônibus para casa. No dia do assalto ele fez o mesmo roteiro: desembarcou do coletivo e seguiu até sua residência, que fica a poucos metros da parada. No meio do caminho ele foi surpreendido pelos ladrões e em seguida foi abordado por Claudinei, que lhe pediu um cigarro. ‘‘Percebi que eles queriam me assaltar. Aleguei que não fumava e tentei sair correndo. Fui pego por Guigui. O Zoinho aproveitou a situação e me deu dois golpes com o punhal.’’ O jovem revelou que ficou desesperado e na confusão conseguiu tirar a arma do Zoinho e sair correndo. ‘‘Não vi mais nada quando caí na rua. Somente me recuperei no hospital, ao lado de meu pai.’’
O delegado adjunto da 10ª Subdivisão Policial, Vanderci Corral Fernandes, disse que a atitude do pai de Elizeu ‘‘é digna de elogios, pois nenhuma comunidade deve esconder bandido com medo de represália’’. Fernandes garantiu que, se depender da polícia, os quadrilheiros não vão sair tão cedo da cadeia.

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