Jovem é assassinado no Educandário de Curitiba
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terça-feira, 08 de novembro de 2005
Luciana Pombo<br>Equipe da Folha 
Curitiba Mais um adolescente foi morto ontem de madrugada no Educandário São Francisco, em Piraquara, Região Metropolitana de Curitiba. Desde o início do governo Roberto Requião (PMDB), já foram contabilizadas 12 mortes em educandários paranaenses. Uma média de quatro por ano. O caso mais grave foi registrado no ano passado, em Piraquara, quando sete adolescentes morreram por espancamento e outros cinco ficaram feridos. A situação é considerada alarmante no Estado, que tem um déficit médio de 300 vagas em educandários o que acaba gerando locais de internação de adolescentes infratores com superlotação.
Ontem, o adolescente de 17 anos (Diego de Oliveira) estava dormindo quando foi atacado por um dos colegas que dividiam o alojamento. Ele foi morto com várias estocadas no peito. Diego era de Cascavel e estava há dois meses em Piraquara. Treze internos dividiam o alojamento coletivo no momento do ataque. Ninguém teria impedido que o outro adolescente, também de 17 anos, cometesse o crime. Um educador chegou a ver as últimas estocadas.
A presidente do Instituto de Ação Social do Paraná (Iasp), Thelma Alves de Oliveira, ficou ontem em constantes reuniões para decidir como melhorar a segurança dentro das unidades de internação de adolescentes. ''Não conseguimos saber ainda ao certo o motivo do crime. Mas os demais internos que estavam no mesmo alojamento nos disseram que eram rixas antigas entre eles. Normalmente as mortes ocorrem por causa de tráfico de drogas ou acerto de contas por outros homicídios que ficaram muitas vezes do lado de fora do educandário. O que é um absurdo. Os meninos estão lidando com a morte como quem troca de roupa'', desabafou Thelma.
Um levantamento feito por ela com adolescentes demonstrou que a maior parte dos adolescentes que entram em educandários sofre ameaças de morte por grupos rivais que ficaram fora das unidades de internamento. Muitas mortes estariam sendo praticadas sob encomenda destes grupos.
Três comissões da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), seção Paraná, deverão se reunir nos próximos dias para discutir os caminhos que podem ser trilhados para evitar que novos casos de violência e morte ocorram dentro das unidades que abrigam adolescentes infratores: a de direitos humanos, da criança e adolescente e de assuntos de estabelecimentos penais. De acordo com Cleverson Marinho Teixeira, presidente da Comissão de Direitos Humanos da OAB, o problema ''é grave, complicado e de difícil resolução''. ''Os menores chegam lá nas unidades com vida familiar e social complicada. O sistema social brasileiro impulsiona esta situação. Temos que nos previnir porque a agressividade tende a ficar cada vez maior'', relatou Teixeira.
O advogado lamentou a necessidade de alojamentos com cerca de 20 adolescentes que são obrigados a conviver juntos, dormir juntos. ''Eles têm atritos normais, dificuldades. Os educandários paranaenses vivem sob um sistema antigo, de acomodações precárias. Não temos hoje meios de enfrentar a situação. O importante é que estamos mobilizados para pensarmos juntos numa solução que começa por recursos do Orçamento destinados aos educandários'', ponderou ele.


