Jovem denuncia mais um agenciador
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quinta-feira, 26 de junho de 2003
Luciano Augusto<br> Reportagem Local 
Mesmo com uma investigação policial em curso no 1º Distrito Policial de Londrina, agenciadores locais continuam vendendo pacotes de viagem para o exterior com a promessa de emprego e um bom salário. Uma ex-assistente de uma empresa de telefonia em São Paulo comprou um desses pacotes de um agenciador londrinense e, ao chegar em Londres, no início desse mês, descobriu que havia sido enganada. Na Inglaterra, ela foi procurada por um rapaz que se passou por amigo do agenciador e que lhe ofereceu um ''emprego'' como garota de programa.
Por e-mail enviado à redação da Folha, a jovem C.R.T., 25 anos, contou que uma chefe sua, que trabalhava na mesma empresa em Londrina, conhecia um rapaz que vendia esse tipo de pacote em sua agência de viagens. Convencida pelo agente, a então assistente de processos fez um acordo com a empresa onde trabalhava em maio e deixou o emprego.
Após acertar suas contas, ela efetuou depósito no valor de R$ 3 mil. ''A promessa seria de um emprego na cozinha de um restaurante, com jornada de oito horas por dia e um salário de 5 libras por hora. Ele também me garantiu que, chegando em Londres, eu teria o sócio dele à minha disposição, que me buscaria no albergue onde fiz a reserva e me levaria para uma casa. E também para um curso de inglês que ele já teria pago'', explicou C.R.T.
Porém, quando chegou em Londres no dia 6, a jovem disse que dormiu uma noite no albergue e passou o outro dia inteiro esperando por seu contato na cidade, que não compareceu. ''Fiquei muito nervosa, enviei um e-mail para o meu pai que contatou o sócio dele. Só então percebemos que nada existia, que realmente tínhamos sido enganados, e que eu teria que me virar'', lamentou.
Ela disse que voltou a telefonar para o dono da agência em Londrina mas, em todas as ocasiões, teria sido maltratada. Na última vez que conseguiu falar com o suposto agenciador, ele teria ameaçado denunciá-la ao departamento de imigração daquele país, para que fosse deportada. C.R.T. afirmou que, em outra ocasião, foi procurada por um rapaz, com traços árabes, que se passou por amigo do agenciador londrinense. ''Ele me disse que o emprego estava me esperando, mas era para me prostituir num bairro chamado Soho'', destacou. ''Deixei minha filhinha de dois anos, um emprego de quatro anos, uma vida! E não vou deixar esse estelionatário impune. Meu pai já fez um boletim de ocorrência em São Paulo depois de ter sido aconselhado por uma promotora em Londrina'', lamentou a vítima.
A jovem continua em Londres com visto de turista, sem trabalho e quase sem dinheiro, pois sua família também não tem condições financeiras para ajudá-la. Ela está sobrevivendo em Londres fazendo faxina em casas de família, um trabalho temporário e sem garantia de continuidade.


